AS MEMÓRIAS DO PEQUENO MARIO LUIGI ROSSO

Oi, pessoal,

Um dia desses fui visitar um amigo e uma frase dita pelo filho pequeno dele ficou em minha minha cabeça e foi a semente para esse texto.

Além da frase do garotinho, eu também tinha em mente algo que penso há tempos: esse texto vai ser meio que minha resposta a Harry Potter. Não, eu gosto de HP,não é isso, apenas sempre pensei que dar poderes mágicos a crianças não geraria um universo tipo o do Sr. Potter…

Boa leitura!

AS MEMÓRIAS DO PEQUENO MARIO LUIGI ROSSO, 10 ANOS,
MAGO EM TREINAMENTO
Volume I

Anotação # 112

Papai estava preso dentro do telefone. Fui eu que joguei um feitiço e coloquei ele lá, mas não consegui mais tirar. Papai começou a sufocar. Fiquei com pena. Aí usei uma poção venenosa muito forte. Ele morreu rapidinho. Melhor do que ficar sofrendo, não é mesmo?

Anotação # 215

Hoje transformei todos os outros meninos da escola em sapos e as meninas, em estátuas. Será que ficava melhor o contrário? Acho que nunca vou saber: não consegui reverter os encantamentos. Foi mal, pessoal. Acho que preciso treinar mais. Pelo menos, vão fechar a escola depois disso. Nunca gostei mesmo daquele lugar.

Anotação # 313

Estou numa nova escola, que é ainda pior do que a primeira! A professora de Matemática, Dona Ziza, me deu zero na prova da 3ª Unidade. Fiquei fulo de raiva com ela. Transformei ela num cachorro e vendi para os pais de Zezinho, que queriam muito um bichinho de estimação para o filho. Eles ficaram me perguntando onde arranjei um cão tão bonito e esperto. Eu desconversei. Com o dinheiro, comprei um monte de figurinhas novas para meu álbum “Heróis do Futebol”. É, não sei fazer figurinhas com mágica. Ainda não.

Anotação # 320

Eu já disse que adoro minha Avó? Pois adoro! Ela é, tipo assim, a avó mais legal do mundo, e faz os bolos mais deliciosos que você pode imaginar. Todo ano, ela participa daquele concurso de bolos e tortas da Prefeitura, mas sempre perde para Dona Maria Sorriso, uma velha chata que é a fofoqueira mais nojenta de nossa rua. Acontece que esse ano Vovó venceu o concurso, porque, de repente, Dona Sorriso morreu de ataque do coração um dia antes da data do concurso. Bem, feitiços mortais são um pouquinho difíceis de fazer, mas, como eu disse, amo minha avó.

Anotação # 325

Desde o que aconteceu com papai, eu melhorei muito em fazer feitiços de encolhimento. Hoje encolhi minha irmã. Já contei sobre ela? Era mais velha do que eu, se achava muito certinha e queria mandar em mim como se fosse minha mãe. Ficava me beliscando e puxando minha orelha o tempo todo. Era uma malvada! E ainda ficava zombando de mim, porque sou pequeno pra minha idade: “Trepeça pequena! Tu não vai crescer, tu vai é virar anão!”. Detestava ela! O pior é que eu sabia que mamãe gostava mais daquela monstra do que de mim. Encolhi minha irmã e joguei pra uns gatos de rua famintos que ficavam num terreno abandonado nos fundos daqui de casa. Mamãe chorou muito porque minha irmã sumiu, mas mamãe é jovem e bonita. Ela ainda vai casar de novo e aí ela e meu novo pai vão me fazem uma nova irmãzinha. Pelo menos melhor que a anterior.

Anotação # 340

Vovó está muito doente. Mamãe fica chorando o tempo todo. O pior é que já fiz de tudo, mas parece que não existe feitiço pra curar essa coisa que mamãe chama de “câncer”. Aí resolvi apelar. Acontece que encantamentos pra mexer com o tempo são complicados demais de controlar. Você pisca um segundo e eles endoidam. Mas eu consegui parar antes que Vovó… Bem… Agora Mamãe diz que sente falta de Vovó (que também desapareceu, feito aquela chata da minha irmã) mas realmente ama o bebê que inexplicavelmente apareceu na cama de minha avó. Eu também amo muito minha nova irmãzinha. (Mamãe tentou com a Polícia, mas nem eles sabem dizer de onde esse bebê veio. Eu escutei eles falando com a mamãe e fiquei prendendo o riso. Eu sugeri que colocassem o nome da Vovó na nenenzinha, claro, e mamãe aceitou).

Anotação #400

Tinha um valentão na nossa escola. O nome dele era Ninoco e mexia com todo mundo. Os adultos chamam isso de bullying. A gente pequeno reclamava mais as pessoas grandes não faziam nada. Um dia, ele me derrubou no pátio da escola e fugiu com meu lanche. Eu caí e cortei o lábio. Fiquei com tanto ódio!
Depois que papai sumiu, mamãe ficou tão triste que deu todas as coisas dele: as roupas, a coleção de gibis em Inglês… Tudo mesmo, mas eu consegui que ela deixasse pra mim os DVDs de filmes de terror que papai tinha. Ela olhou com cara feia, mas deixou. Daquela coleção de papai, meu favorito era “Bem-vindos às Profundezas”. Eu adorava assistir àquele filme. Eu ficava contando a história dentro de casa e mamãe ameaçava jogar o DVD fora. Eu achava engraçado como mamãe ficava com medo de filmes de terror.
Mas eu tava furioso com Ninoco e decidi que ia me vingar e a última cena de “Bem-vindos às Profundezas” não saía de minha cabeça. Tinha de ter um jeito, um feitiço para conseguir fazer aquilo do filme. Procurei três meses para achar o encantamento certo e demorou mais um mês pra fazer aquilo funcionar, mas o resultado foi lindo:
Ninoco gostava de ficar na pracinha daqui do bairro à noite. Ele ia pra lá pra fumar (cigarro é uma coisa horrível, foi o que matou vovô, não sei como tem gente que gosta disso…). Como todo mundo sabia que ele era brabo, ele ficava sempre sozinho.
Cheguei quietinho e ele me chamou de “gayzinho” e perguntou se eu queria apanhar. Eu não disse nada, mas pronunciei o encantamento e esperei. Aí, tentáculos azuis saíram do chão e arrastaram Ninoco direto pro Inferno! Naquela hora, na pracinha, não tem ninguém, nem carro passa, aí ninguém viu. Se bem que, quem é que gostava de Ninoco? Fiquei tão orgulhoso de mim mesmo e fui pra casa pra comemorar: com biscoito recheado e Coca-Cola e assistir de novo ao ‘‘Bem-vindos às Profundezas”.

Anotação #410

Era época de Carnaval e eu detesto Carnaval. Tinha um bloco (“Os Errados do Frevo”) que ficava passando aqui pela rua todo dia. Uma barulheira danada. Eu nem conseguia assistir direito o anime Astroship Princess Kalena. Me dava uma raiva danada! Hoje, eu perdi a cabeça: quando eles tavam passando, eu corri pra janela e gritei uns palavrões horríveis que aprendi com papai. Mamãe escutou e disse que ia me dar uns tapas na boca porque falei aquelas coisas. Bem, palavrão não adiantava mesmo. Aí fiquei pensando num encantamento, mas aquele barulho todo não me deixava pensar direito e eu falei baixinho o que me veio no pensamento. Cara! Foi demais, o bloco inteiro dos Errados do Frevo desapareceu igualzinho a imagem na televisão quando falta luz. Sério! Juro que não sei o que fiz ou o que aconteceu com eles ou onde foram parar… Quem se importa? Corri pro DVD para assistir Astroship Princess Kalena e comer muito salgadinho Doritos com Coca-Cola pra comemorar.

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setembro 30, 2016 at 3:58 am Deixe um comentário

MINHA FORÇA É COMO A DE DEZ, PORQUE MEU CORAÇÃO É PURO

Uma batalha terrível entre um herói e um monstro, cada um engajado em sua causa. Porém, nada é o que parece.

Continue Reading setembro 14, 2016 at 3:02 am 3 comentários

UM MOMENTO TÍPICO NA VILA ZECA TIMÓTEO

Recentemente, foi aniversário do filhote. Ele completou dezoito anos finalmente, mas, como digo, será sempre meu bebê.
Ano passado, dei um texto de presente para ele (“O Espírito de Junho”). Este ano, ele pediu dois. Um deles foi “Giuseppe, o de Muitos Corações”. O outro é este.
Boa leitura.
P.s. Ele gosta de histórias bizarras.

UM MOMENTO TÍPICO NA VILA ZECA TIMÓTEO

Por Rita Maria Felix da Silva

Tarde de domingo. Um daqueles dias realmente típicos na Vila Zeca Timóteo ─ que, se você não lembra das aulas de Geografia, fica lá no município de Santana da Serra, Zona da Mata Norte de Pernambuco.
Num banco de praça, dormia Seu Aquiles, um idoso gordo, barrigudo e de cuja cabeça os cabelos já haviam se despedido. O sono profundo daquele ancião era embalado pelo som de seu próprio ronco, que se rivalizava com o barulho de qualquer um desses grandes caminhões modernos. No meio da testa, colado com o nariz, havia apenas um grande, fechado e único olho (razão pela qual ele invocava ancestralidade grega). Vez ou outra, da boca escapava uma baba verde que se espalhava pelo chão. Um pequeno pardal, mais curioso que seus semelhantes, pousou, provou aquele líquido esmeralda e caiu estendido tão morto quanto a honestidade na política brasileira.
Perto de Seu Aquilles, Neco de Tonha aguardava com o carrinho de pipocas. Aquele pipoqueiro oferecia seu produto em três tipos, ao gosto do freguês: doce, salgada ou azul. Um mosca das mais graúdas passou voando perto da cabeça dele. Neco abriu a boca e sua língua se esticou uns cinquenta centímetros para fora até capturar o inseto, que ele engoliu com satisfação. Depois, tirou do bolso da camisa xadrez um caderninho de anotações e marcou um número lá. Cento e cinquenta e um, esta semana. Logo iria bater seu próprio recorde.
Bem perto de onde estava Neco, Inhá Matilda ─ que, com seus quarenta e oito anos, nunca realizara o sonho de se casar por amor, porque, na verdade, nunca conseguira se apaixonar por ninguém ─ estava de quatro no chão. Seu brinco favorito caíra da orelha e ela o procurava pela grama com o mesmo desespero de quem anseia encontrar um filho perdido. Sem que Matilda percebesse, próximo a seu bumbum pairava um cupido adorável, porém, psicopata e assassino serial ─ razões pela qual Zeus o expulsara do Olimpo já fazia tempo. Sem que ela sequer sonhasse, aquela criaturinha alada apontava-lhe para as nádegas uma flecha explosiva o bastante para reduzir aquela mulher a tantos pequenos pedaços que seria cansativo de contar.
À direita de Matilda, havia um arbusto, atrás do qual um grupo de cinco crianças observava com atenção um crânio, obviamente sem corpo, que saltitava e quicava pelo chão da praça. Os pequeninos não se escapavam de fazer seus próprios comentário diante do evento:
─ Que Massa! ─ disse Manezinho.
─ Que lindo! ─ exclamou Juninho Batata.
─ É feito naquele desenho da Disney! ─ opinou Mariazinha de Leléu.
─ Papai vai comprar um desses pra mim! ─ jurou Tulinho Pedreira.
─ Parece biscoito recheado! ─ classificou Luquinhas e completou ─ Eu quero um pedaço!

FIM

agosto 28, 2016 at 3:17 am 2 comentários

GIUSEPPE, O DE MUITOS CORAÇÕES

Pessoal,

Nos próximos dias, meu filhote completa dezoito anos. No aniversário dele do ano passado, dei um texto de presente para ele (“O Espírito de Junho”). Este ano ele pediu dois. Este é um deles.
Sim, ele gosta de histórias bizarras e extremas (e, em parte também, foi bom escrever isto porque tratar com as metarrealidades da séria “Historietas Inquietas” e a metáfora amarga de “A Metáfora dos Macacos” tem me deixado com um gosto azedo na alma…)
Boa leitura!

GIUSEPPE, O DE MUITOS CORAÇÕES

Numa humilde casinha branca de portas verdes, que ficava depois da Terra de Nod, lá na beira de um abismo bem pertinho do Inferno, onde fica o fim do mundo, era lá nessa casinha que morava Giuseppe Martins e há tanto tempo ele já vivia naquele lugar que se esquecera de sua vida antes de chegar ali.
De todas as coisas que podiam ser contadas sobre ele, havia duas ou três que eram realmente notáveis:

A primeira delas é que Giuseppe já tivera não apenas um, mas sim mil corações, todos pequeninos o bastante para caberem naquele corpo, mas cada um deles era tão poderoso que, sozinho, poderia mantê-lo vivo.
A segunda coisa notável sobre ele é que padecia de um tédio crônico e uma tristeza daquele tipo incurável, e isso levava a terceira das características mais curiosas daquele homem:

Quando estava mais triste do que de costume e seu tédio se tornava maior do que ele poderia sonhar aguentar, Giuseppe arrancava um daqueles corações e, assim, a tristeza aliviava quase a ponto de ir embora e o tédio se aquietava tão calminho, como se até não existisse. E, por algum curto tempo, ele sentia-se em paz.
E assim se passou o tempo naquela casinha e veio uma época em que Giuseppe, ao invés de mil corações, apenas cem corações lhe restavam…

FIM

agosto 14, 2016 at 1:03 pm 3 comentários

A Metáfora dos Macacos

A METÁFORA DOS MACACOS

Pessoal,

Na atualização de hoje, vou postar dois textos que fogem um bocado do que geralmente escrevo. Eles não são textos agradáveis, são metáforas, mas não ficções.
Pela Internet, tenho visto a tendência de uma multidão de pessoas em condenar o Comunismo/Socialismo e endeusar o Capitalismo. No momento presente, não quero entrar no meio dessa discussão, mas me pergunto aos defensores do Capitalismo se eles observam as mazelas desse sistema econômico antes de alça-lo a algum altar utópico.
Digo isso, porque as relações de trabalho no Capitalismo são horríveis. Pegando um gancho num aspecto mais pessoal, tenho sofrido muito pro conta de um chefe que, bem, tem infernizado minha vida profissional. Não quero entrar em detalhes e preferi desabafar literariamente. Espero que gostem.
Ambos são uma metáfora amarga. Peço que ninguém se ofenda com ela. A crítica é a ele, a empresa e ao Capitalismo em geral que sustenta aberrações como essa. Em parte é também a nós mesmos, pessoas comuns, que, com nossas omissões, permitimos que um sistema assim exista.
Para evitar qualquer má interpretação, esclareço que o termo macaco aqui não tem qualquer conotação racista e não se refere a ninguém considerando sua etnia (o chefe que mencionei é branco como lesma). Uso essa palavra, de forma metafórica, para me referir a ser humano.
Boa leitura.

A METÁFORA DOS MACACOS

I – SIGA O MACACO LÍDER

Esqueçamos nossas ilusões sobre democracia, liberdade, livre arbítrio e direitos humanos. Enterremos essas quimeras em alguma cova bem funda, e, se possível, num lugar distante e esquecido, pois dez mil anos de civilizações nos reduziram a isto:
Somos apenas uma longa fila de macacos, seguindo o macaco que urra mais alto e bate selvagemente no peito sonhando ser o senhor do mundo.
Que os deuses tenham pena de nós…

II – O MACACO NO QUADRADO

Enquanto você crescia, não lhe contaram isso. A vida adulta, porém, por ser uma sádica incurável, é mais sincera e sem pudores para lhe abrir os olhos:
Você é um macaco em seu quadrado. Nunca erga a cabeça, não fale, não olhe para o lado, não pense e não sinta. O que quer que você seja por dentro, qualquer valor que imagine ter, reprima com firmeza, submeta a um eficiente funil para que de seu interior o mais infinitesimal do mínimo possa sair.
Afinal, você não é pago para ser humano. Apenas trabalhe e trabalhe. Produza e produza bem. É só o que se espera de você. É só o que lhe permitirão fazer.
No fim do mês, receba suas bananas ou salário, chame como quiser, mais que isso, no mundo, não cabe a você.

FIM

agosto 12, 2016 at 11:58 am 1 comentário

DUETO ANJO-DEMÕNIO

Pesspal,,

Com este Dueto Anjo-Demônio, eu concluo a pequena trilogia dos duetos.
Esta série, é, em resumo, uma brincadeira sobre dualidades e dicotomias.
Boa leitura.

DUETO ANJO-DEMÕNIO

Eu sou a luz de teu amor
E a sombra em teus sonhos
Eu sou a realização de tuas selvagens vontades
E o punhal no fim de teus tolos desejos
Permita-me roubar-te a doce inocência
E preencher-te com amarga sabedoria
Eu sou a porta para teu futuro
E o cadafalso no fim de teu caminho
Quando em perigo, invoca meu nome
Eu te protegerei da multidão sanguinária
E te abandonarei quando os cães famintos chegarem
Que eu possa ser o chicote em tuas costas
E o bálsamo que te alivia as feridas
Eu sou a soma de teus sonhos
E a forma de teus pesadelos piores
Deixa-me salvar-te a vida
E levar-te a alma em troca

agosto 8, 2016 at 8:40 am 1 comentário

Dueto Humano-Feérico

Oi, pessoal,

Este é um poema que eu queria concluir há tempos.
Faz parte de algo que chamo de “Trilogia dos Duetos”.
A primeira parte (“Dueto”) postei aqui. A segunda, está
concluída e breve publico.
Boa leitura!

DUETO HUMANO-FEÉRICO

(SOLANO)
De onde tu vens, do norte ou do sul?
Ó Tu, bela e feroz fada de pele azul
Pois, eu tremo quando me olhas assim
Que será, que segredos trazes pra mim?

(BELISAMA)
Nem do norte ou do sul, não tenhas medo
Venho de onde Judas padece em degredo
Venho de onde o teu mundo encontra o fim
A terra onde jazem os deuses e os serafins

(SOLANO)
Fada de olhos de duas cores desiguais
Desgosta de mim este vento que te traz
Piedade, não digas frases de mau agouro
Acaso deve meu dia terminar em choro?

(BELISAMA)
Humano fraco e de coração temeroso
Devias ser forte e teu espírito vigoroso
Ah, não me invoques essa tal vã piedade
Pois, eu trago para ti somente a verdade

(SOLANO)
Que verdade é essa que trazes assim?
Que não seja a profecia de meu fim
Teu povo é cruel, gosta de jogos
Tuas palavras são fel, cheias de logro

(BELISAMA)
És rude por gratuitamente me insultar
Cruel é teu povo que o mundo vai queimar
Trago avisos, não posso trazer consolo
Vim com a verdade. não me interessa jogo

(SOLANO)
O que tens de dizer, diz agora
Por que insistes em tanta demora?
Sei que pretendes só me torturar
Fadas tem prazer em nos ver penar

(BELISAMA)
És injusto, humano de língua acusadora
Realmente merecias uma tortura duradoura
Mas não vim para jogos, nem folguedos
Trouxe em minha língua terrível segredo

(SOLANO)
Que segredo é esse? Sinto que vais me abalar
Meu coração não devo deixar mais se machucar
Se trouxestes um horror, um vil objeto de dor
Pergunto-me e padeço: onde estará meu amor?

(BELISAMA)
É de teu amor perdido que vim contar
Aquela que procuras sem nunca descansar
Deixa morrer a esperança, é o melhor que farás
Pois tua amada de novo, nunca, nunca encontrarás

Poema: Rita Maria Felix da Silva

agosto 5, 2016 at 12:11 am 1 comentário

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