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Dueto Humano-Feérico

Pessoal,
Essa é uma poesia que eu planejava concluir há tempos.
Espero que gostem.
Sei que lembram que feérico é o adjetivo para as fadas.
Beijos

DUETO HUMANO-FEÉRICO

(SOLANO)
De onde tu vens, do norte ou do sul?
Ó Tu, bela e feroz fada de pele azul
Pois, eu tremo quando me olhas assim
Que será, que segredos trazes pra mim?

(BELISAMA)
Nem do norte ou do sul, não tenhas medo
Venho de onde Judas padece em degredo
Venho de onde o teu mundo encontra o fim
A terra onde jazem os deuses e os serafins

(SOLANO)
Fada de olhos de duas cores desiguais
Desgosta de mim este vento que te traz
Piedade, não digas frases de mau agouro
Acaso deve meu dia terminar em choro?

(BELISAMA)
Humano fraco e de coração temeroso
Devias ser forte e teu espírito vigoroso
Ah, não me invoques essa tal vã piedade
Pois, eu trago para ti somente a verdade

(SOLANO)
Que verdade é essa que trazes assim?
Que não seja a profecia de meu fim
Teu povo é cruel, gosta de jogos
Tuas palavras são fel, cheias de logro

(BELISAMA)
És rude por gratuitamente me insultar
Cruel é teu povo que o mundo vai queimar
Trago avisos, não posso trazer consolo
Vim com a verdade. não me interessa jogo

(SOLANO)
O que tens de dizer, diz agora
Por que insistes em tanta demora?
Sei que pretendes só me torturar
Fadas tem prazer em nos ver penar

(BELISAMA)
És injusto, humano de língua acusadora
Realmente merecias uma tortura duradoura
Mas não vim para jogos, nem folguedos
Trouxe em minha língua terrível segredo

(SOLANO)
Que segredo é esse? Sinto que vais me abalar
Meu coração não devo deixar mais se machucar
Se trouxestes um horror, um vil objeto de dor
Pergunto-me e padeço: onde estará meu amor?

(BELISAMA)
É de teu amor perdido que vim contar
Aquela que procuras sem nunca descansar
Deixa morrer a esperança, é o melhor que farás
Pois tua amada de novo, nunca, nunca encontrarás

Poema: Rita Maria Felix da Silva

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dezembro 11, 2017 at 2:33 am Deixe um comentário

Voltando a atualizar o blog

Realmente, faz um tempinho que não atualizo este blog: coisas da vida material. Atrapalham muito.
Por isso, vou fazer uma atualização mais gordinha do que de costume, colocando mais textos de uma vez.
Um deles, “Soldado Amaral”, vai com um agradecimento ao amigo e escritor Daniel Folador Rossi, que fez uma valiosa sugestão para a melhoria deste conto. Obrigada, Dan.

SHANAYA, DOS SONHOS

 

Shanaya cresceu às margens do Rio Aansoon Ka. Descendia de uma linhagem de bruxas poderosas.

Um dia seu país se tornou corrupto e terrível, governado por homens malignos e habitado por um povo formado, em quase toda a sua totalidade por pessoas também malignas ou tolas. Ninguém parecia poder fazer qualquer coisa para mudar aquela situação.

Então, Shanaya trancou-se no quarto, invocou a magia de suas ancestrais. Usaria a mais perigosa mágica que existe, a magia dos Sonhos. Dormiria e sonharia com seu país tendo se tornado algo diferente e, com o poder quase infinito da mágica, tornaria aquele sonho real. Assim, dormiu e sonhou. Um sonho após o outro. Sonhou cento e trinta e três sonhos diferentes. Em cada um deles, sua terra voltava a ser algo bom e digno. Até mesmo melhor do que já havia sido. Não pôde, porém, tornar nenhum deles real. A magia para tanto sempre lhe escapava no fim.

Até que finalmente entendeu:

Não era possível salvar seu país, porque ele havia se tornado tão distorcido e lamentável que não era mais digno de salvação. Dormindo, uma lágrima e depois outra escorreram-lhe pelo rosto. Shanaya escolheu o único sonho que era possível, e este veio à realidade. Em minutos, chamas espalharam-se por toda aquela nação, devorando impiedosamente a tudo e todos. Breve, sobravam apenas cinzas daquele país.

 

A IMORTALIDADE DE GODOFREDO DE BURGUNDI

 

Godofredo nasceu o homem mais triste do mundo. Vivia desolado. Nunca um sorriso passara por aqueles lábios. Era de uma depressão como a Medicina daquela época — e, possivelmente, das seguintes — não sabia curar.

Em maio e junho de seu vigésimo quinto ano de vida, uma sequência de vinte e nove tentativas fracassadas de suicídio ensinou-lhe uma verdade inesperada: era imortal, ou pelo menos, não podia ficar morto por muito tempo, pois, não importava o que ocorresse com seu corpo, o ferimento, a fratura, a injúria se regenerava em instantes e ele voltava à vida antes que até mesmo a mais rápida das pessoas conseguisse terminar de cantar o hino nacional.

Assim, ao menos, encontrou uma forma de ganhar dinheiro e passar o tempo. Gostava de exibir-se naquele grande teatro no centro da cidade. Gente do mundo todo vinha vê-lo cometer suicídio, pelos mais diversos métodos conhecidos, apenas para ressuscitar totalmente ileso em instantes. Era a sensação dos jornais, que o chamavam de “Godofredo, o Imortal, a Maravilha Sombria de nosso Tempo”.

Em novembro do ano em que completaria seu trigésimo aniversário, Godofredo havia acabado de voltar de mais uma turnê pela Ásia e reiniciou suas apresentações no teatro. Após uma seqüência de perfomances com lâminas, decidiu voltar a usar pistolas. Havia algo de clássico nisso, ele assim pensava.

Então, numa quinta-feira, lá esteva ele. No centro do palco. Sentado numa cadeira simples de madeira, ao lado da qual estava uma pequena mesa, igualmente de madeira e sem ornamentos, sobre esta repousava uma pistola carregada. Godofredo vestia-se como um mágico, de fraque e cartola, afinal, o que ele fazia não merecia ser classificado como mágica?

Pegou a pistola e, antes de começar o espetáculo, cumprimentou seu público: uma multidão que, como sempre, lotava o teatro. Como o ingresso era muito custoso, apenas os muitos ricos viam assistir. Passou os olhos por um canto da plateia e viu quando se sentaram uma linda jovem acompanhada por uma distinta senhora idosa. Claro que ele não sabia, mas toda aquela beleza denunciava que não podia se tratar de outra, exceto a própria mademoiselle Arlene de Montfleur, celebrada como a mulher mais bela da Europa, a quem os jornais destilavam elogios dignos da própria Afrodite, filha da mais rica e respeitada família do continente.

Arlene sorriu para ele e o coração daquele homem foi tomado por um encantamento maior que qualquer força humana. Pela primeira vez, em toda sua vida, ele sorriu e sua própria alma inundou-se de uma felicidade como nunca tinha se visto neste mundo, pois, um milagre acabara de acontecer e realmente pela primeira vez, Godofredo de Burgundi estava apaixonado.

Ele suspirou. Após o espetáculo haveria tempo de falar com aquela criatura tão celestial. Como já havia feito milhares de vezes, colocou a pistola contra a têmpora direita, disparou e seu corpo desabou sobre a mesa diante dos olhares estupefatos de seu público.

Dessa vez, porém, passarem-se os segundos e ele não se movia. Depois, minutos, até que a platéia começou a questionar o que estava acontecendo e um deles, mais corajoso, na verdade um certo médico chamado de Jacques Durand, aproximou-se e examinou o corpo de Godofredo. Estava morto. Permanecia morto. Levaram-no a um hospital. Aguardaram, mas ele não voltou. Após três dias, sem qualquer sinal de ressurreição, enterraram-no naquele cemitério antigo e encantador, perto da casa onde cresceu.

Dizem que um sorriso apaixonado persistia nos lábios do cadáver, mesmo quando desceu à sepultura.

 

ERIC E JASMINE

 

Naquela época, as festas realizadas na mansão da socialiste Bella Selazini eram as mais badaladas do estado. Ora, diabos! Eram as mais comentadas do país. Quem não lembra que foi numa delas que aquele candidato a presidente morreu por uma overdose de cocaína?

Bem, foi por lá que Eric e Jasmine se conheceram. Foi num mês de novembro quente como o Inferno. Jasmine, uma aspirante a atriz, veio em busca de contatos que pudessem colocar seu nome numa novela de TV. Eric pensava em sair do Brasil, fugindo de um relacionamento que o havia levado a um caso de depressão e uma tentativa de suicídio.

Cruzaram-se, pelo maior dos acasos, numa das mesas, quando Eric foi pegar outra taça de champanhe. Jasmine arregalou os olhos quando o avaliou de cima abaixo. Ele sorriu, como não sorria há muito tempo e perguntou a si mesmo como uma mulher tão bonita como aquela poderia realmente existir.

Mal conversaram vinte minutos e foram buscar abrigo num banheiro. Fizeram amor lá pela primeira vez. Foi rápido, intenso e selvagem. Ambos nunca haviam provado nada tão maravilhoso assim antes.

Dali fizeram amor em vários outros lugares. Transavam praticamente todo o tempo em que estavam juntos, ou se declaravam, um para o outro, de um forma tão apaixonada e sincera que eles não acreditaram ser possível fora de um filme.

Em dezembro, estavam numa casa de veraneio, na famosa Praia de Beta do Pina. Haviam terminado de atingir um orgasmo juntos e agora descansavam lado a lado no tapete da sala, aproveitando a felicidade simples de estarem juntos.

— Eric? — Jasmine indagou com aquela voz suave que o deixava louco de desejo.

— O que foi… — Eric respondeu com um sorriso e Jasmine teve certeza de nunca ter encontrado um homem que sorrisse de forma tão bonita.

— Qual é, assim, seu maior sonho… Tipo a coisa que você mais quer nesse mundo?

— Sei lá. Talvez nenhum. Já encontrei você. Acho que não preciso de mais nada.

Dessa vez, foi ela que sorriu, e então disse:

— Eu… Eu queria que a gente ficasse junto para sempre.

— Ei, boba, a gente vai ficar sim.

Ela ficou calada. Seu rosto parecia sombrio:

— Não, não vai, não. Eu tive um sonho horrível ontem. Ninguém fica para sempre junto. Um dia, um da gente morre e o outro fica sozinho.

— Jasmine, — ele replicou com uma expressão de incômodo — mas que conversa para depois de uma transa, hein? Parece que eu só me apaixono por doida! — e riu novamente.

— Desculpe. Não consegui evitar. Sabe qual é meu maior sonho?

— Vai, fala, quero escutar.

— Eu queria que a gente morresse junto, ao mesmo tempo, para que um não tivesse de ficar sofrendo sem o outro.

A expressão no rosto dele ficou mais séria, e Eric disse:

— É, eu também, Eu nunca ia querer ficar nesse mundo sem você.

Então, eles riram e se beijaram e fizeram amor novamente.

E, em algum lugar, um anjo velho, sábio e piedoso disse “amém” e um desejo se realizou (pois, assim é contado pelos mais antigos, que desejos se tornam reais quando anjos dizem amém):

Tão logo alcançaram o orgasmo, mais uma vez, juntos, os corações dos dois pararam de bater exatamente ao mesmo tempo e, assim, juntos, ambos partiram deste mundo…

 

SOLDADO AMARAL

 

Adeildo Oliveira do Amaral, filho de militar conservador evangélico, cresceu idolatrando o governo da União Cristã Brasileira (UCB). Os amigos diziam que seu amor pela pátria era quase uma religião, ao que ele respondia sorrindo:

— Vamos tirar o “quase” dessa frase!

Em 2079, quando tensões na fronteira com a Argentina foram usadas pelo governo para declarar guerra aquele país, Amaral marchou para o front de cabeça erguida e coração em festa. “Por Deus e pela honra e defesa da Pátria!”, dizia a propaganda do governo, e Amaral repetia essas palavras como um mantra. Com elas nos lábios, entregou-se ao combate em terras argentinas. Analistas internacionais questionavam os motivos do conflito e apontavam as tendências expansionistas da UCB. Nada disso, porém importava aos ouvidos daquele soldado.

A guerra contra os argentinos foi terrível. Em que pese a resistência corajosa dos filhos daquele pais, dois terços de sua população foi aniquilado. A comunidade internacional levantava queixas de genocídio, mas isso não importava para a UCB e se o governo dizia que aquelas acusações era mentira, Amaral acreditava.

A mais sangrenta das batalhas daquele conflito foi o cerco de um mês a Buenos Aires. A cidade capitulou em junho de 2080. O próprio Amaral teve a honra de atirar no Presidente argentino Pablo Marcel Trinchero. Porém, naquele mesmo dia, vítima de uma emboscada, ele perdeu as duas perdas. No dia seguinte, Raúl Enea Malharo, vice-presidente argentino, assinou a rendição daquele país, que foi anexado como território brasileiro.

Amaral foi devolvido ao Brasil com honras e internado no Hospital Militar do Espírito Santo, em Brasília. Lá, numa segunda-feira, foi visitado pelo célebre Coronel Altamonte:

— A UCB não vai desampara-lo. Juro por Deus. Este país não dá as costas a seus heróis! — disse o coronel com veemência.

Amaral chorou de orgulho e felicidade. Ele havia escutado que setores mais moderados da política brasileira reclamavam dos altos custos que a guerra havia deixada para os cofres públicos, mas ignorava tais coisas: para aquele soldado, o governo era o representante de Deus na Terra, criticar o governo era criticar Deus e isso, Amaral, ressaltava com horror, era coisa para ateus!

Na terça-feira, à meia-noite, enquanto ele dormia, veio a enfermeira, que aplicou um poderoso veneno ao soro que ele tomava. Amaral jamais soube de um verdade simples:

Para a UCB, um herói morto saía mais barato que um soldado inválido e vivo.

 

A CASA NA ESQUINA ENTRE OS MUNDOS

 

Era apenas uma casa velha e decadente, na esquina entre os mundos, feita para ser habitada por fantasmas e tristes lembranças. Um dia, porém, ficou vazia, então o universo decidiu que deveria ser novamente ocupada, porque, graças a uma lógica sádica e que poucos humanos seriam capazes de entender, os deuses haviam decidido, há muito tempo, que era necessária a existência de um lugar lamentável como aquele. Então, começou-se a procurar aqueles que deveriam ser os novos moradores da casa.

Num canto do planeta Terra, vivia Asfridi e ele era, provavelmente, o homem mais triste que já viveu. Em sua curta vida — cometeu suicídio aos vinte e oito anos —, foi amado por uma infinidade de mulheres, mas nunca foi feliz, pois, por conta de uma daquelas anomalias que a vida, vez ou outra, permite acontecer, ele nunca se mostrou capaz de amar qualquer uma delas.

Morreu desolado, pois dizia que nunca havia conhecido o amor. Seu peito era como o vazio de um buraco negro.

Em outro ponto de nosso planeta, nasceu e cresceu Safridi e, embora ela fosse bela e seu coração tão luminoso quanto uma estrela, a ponto de amar verdadeiramente e tão intensamente como nunca se viu em nosso mundo, jamais era amada, não importava com quem se envolvesse.

Aos vinte e oito anos, percebeu que era a mulher mais infeliz do mundo e, tendo finalmente se resignado de que jamais conheceria o amor, atirou-se nos trilhos de um trem e foi despedaçada.

Então, o fantasma de Asfridi e o fantasma de Safridi despertaram na casa na esquina entre os mundos. Duas almas infelizes que deveriam assombrar aquele lugar por uma eternidade. Mas, quando se viram, o coração de Asfridi tornou-se cheio pela primeira vez e, igualmente pela primeira vez, ele percebeu que estava apaixonado.

Quando Safridi pôs os olhos sobre ele, seu próprio coração se reacendeu e ela soube que finalmente haviam encontrado alguém que iria amá-la.

Assim, se aproximaram e se uniram num beijo e, a partir daí, a casa na esquina entre os mundos deixou de ser um lugar desolado e lamentável e tornou-se o recanto de maior felicidade neste e em todos os mundos.

 

dezembro 11, 2017 at 2:33 am Deixe um comentário

O PEREGRINO E O HORIZONTE

       O horizonte, sempre à frente, para lá ia o peregrino, e a caminhada era eterna…

    Caminhando e caminhando, sem nunca pausa ou descanso. Como lhe ordenaram fazer. Como havia prometido.

    Fazia muito tempo que ele se despira das roupas, quando abandonou, na estrada, também as esperanças e sonhos. Tudo que o peregrino uma vez amou ficara para trás. Só importava o caminho a seguir e o horizonte a ser alcançado.

     Mas o horizonte permanecia distante. No rosto do peregrino, a alegria e vontade de viver haviam perecido talvez há uma eternidade. Ele nem mesmo se lembrava de quem fora um dia, do porque começara naquele caminho ou de todos que havia ignorado traído, abandonado ou assassinado para estar naquela jornada. Seu coração era um doloroso vazio sem fim.

      Havia desaprendido a rezar, pois as palavras sagradas e os nomes dos deuses fugi-ram de sua memória ao longo do caminho, porém lhe restava um anseio: em algum mo-mento, mais adiante, talvez sua carne se despregasse dos ossos e caísse na estrada para se tornar pó. Talvez os próprios ossos também se reduzissem a poeira. Era a única piedade que ainda poderia esperar.

        O horizonte, sempre à frente, para lá ia o peregrino, e a caminhada era eterna…

setembro 7, 2017 at 5:10 pm Deixe um comentário

O ùltimo Conto de Heitor

O ÚLTIMO CONTO DE HEITOR

Por Rita Maria Felix da Silva

 

 

Os ferimentos haviam piorado. A febre se elevava. Ele sabia que não poderia sobreviver por muito mais tempo. Tinha de ser rápido. Num canto da casa em ruínas, em uma mesa velha e sob a luz de uma vela que ele disputara até a morte com um saqueador, Heitor Vasconcelos Serpa escrevia pela última vez.

Usava papel e caneta. Não havia mais energia elétrica e ele sentia falta de digitar num computador. A caneta era aquela da promoção da Mcdonalds. O caderno escolar tinha estampa de Toy Story e havia pertencido a seu irmão caçula, o mesmo que morrera há uma semana, ao pisar numa mina terrestre, enquanto procurava por comida.  Um dia após este trágico evento, seus pais foram fuzilados pelas tropas invasoras. Ele estava só agora.

O texto deveria ser o começo de uma heptalogia sobre dragões, mas ele teria de se conformar apenas com um conto. A vida não é como desejamos. Nem mesmo no fim do mundo.

“De que adianta escrever isso?”, reclamou uma parte de sua mente, “o mundo está terminando lá fora. A espécie humana não vai durar nem mais um mês. Ninguém vai publicar isso. Ninguém nunca vai nem ler”.

Heitor mordeu e mastigou um pedaço de pão azedo. Sentia muita fome.  O ferimento radiativo em suas costas ardia demasiadamente. O lado esquerdo de seu rosto estava deformado pela explosão da granada de arma química há nove dias. Sua pele coçava e cobria-se de pequenos tumores, devido ao efeito das armas biológicas que os invasores espalharam pelo ar.

— Eu sou um escritor — ele falou para si mesmo, com toda a convicção que pôde e sentiu que nunca havia dito nada tão poderoso e verdadeiro quanto aquela frase. Mesmo no fim do mundo, escrever era o que mais desejava.

Sentia muito frio.  Era difícil se manter acordado. Apressou-se para concluir o conto:


 

(…) E na grande batalha da ilha de Qíyú de Shén, o honorável Cepulode da Lua Crescente, líder rebelde dos dragões da planície oriental, conduziu vitoriosamente seu povo até a vitória derradeira sobre as hordas de humanos opressores, escravocratas e assassinos e os expulsou de volta às terras ocidentais. Agora, os dragões poderiam viver novamente, seguros e felizes. Com uma flecha envenenada atravessada no olho esquerdo, Cepulode olhou para seu exército triunfante e para o bom futuro que aguardava seu povo. Então, o veneno por fim o venceu e o nobre e valoroso dragão tombou morto diante de seus comandados. Partiu, porém, feliz pelo que tinha realizado.


Sangue começou a escorrer pela boca, olhos e nariz de Heitor. Efeito retardado das bombas biológicas que as tropas invasoras haviam jogado sobre a cidade. E sangue pingou no papel. Com um último suspiro, Heitor despediu-se do que lhe restava de vida. Partiu, porém, satisfeito consigo mesmo, pelo que acabara de realizar. Apenas desejou que tivesse mais tempo para uma última revisão. Soltou a caneta e ela caiu e rolou pelo chão.

  Epílogo

 Cerca de dez muzhins após a morte de Heitor, os astrônomos da espécie Sholonov descobriram a Terra. Três muzhins depois, enviaram uma expedição de arqueólogos, biólogos, linguistas e outros estudiosos. A partir do que coletaram das ruínas, ficaram fascinados pela cultura humana. A arte especialmente os deixou deslumbrados.

Numa das cidades mortas, no que parecia já ter sido uma habitação de uma família de humanos, o linguista, encontrou as “folhas de papel” aparentemente escritas pela infeliz criatura cujos restos ele entregou a equipe de biólogos.

Xozmok já dominava, razoavelmente, algumas das antigas línguas faladas neste mundo extinto, mas mesmo assim demorou cerca de vinte rotações deste planeta até obter uma tradução razoável do manuscrito “Cepulode da Lua Crescente, o Dragão”, de autoria de um humano chamado Heitor V. Serpa. A leitura o agradou muito, apesar de algumas referências culturais tê-lo confundido. Demorou um pouco para entender que se tratava de uma obra ficcional. Pena. Ele gostaria de imaginar que dragões realmente já houvessem existido.

Em mais dois muzhins, seria mandado de volta para casa. Decidiu levar a tradução e dá-la de presente a seu filho Yahnmok, que estava se preparando para a cerimônia de passagem para a maturidade. Para um jovem Sholonov, receber do pai uma história de presente, antes do ritual para a idade adulta, era uma das mais altas honrarias possíveis.

  FIM

Dedicado a Heitor Vasconcelos Serpa.

junho 22, 2017 at 11:58 am Deixe um comentário

4 Drabbles

Oi, pessoal.
Num post recente, coloquei aqui 16 Drabbles (textos de até 100 palvavras). Posto agora mais quatro. A meta é chegar a 100 deles. A meta maior é que meu arquivo de textos chegue a 1000 textos (está em 770) e esss Drabbles vai ajudar nisso.
Boa leitura.

XVI-CARLO MALEDETTO

Carlo Maledetto, Conde de Volterra, mais poderoso guerreiro daquela época, recolheu-se a seus domínios, no fim da vida, e passou a ocupar-se de um belo jardim.
Quando uma horda de bárbaros Malkin invadiu Volterra e começou a decapitar, estuprar e queimar seus habitantes, Carlo nem se importou.
Mas, quando um dos bárbaros entrou no jardim e pisoteou um canteiro de rosas que Carlo havia cultivado, o Conde realmente enfureceu-se e, espada em punho, voltou-se contra os invasores e decapitou ou eviscerou duzentos bárbaros antes que a horda inteira fugisse. Para Carlo Maledetto seu jardim era coisa muito séria.

XVII-QUANDO O TEMPO SE DESPEDAÇOU

Dizem que foram os americanos, russos ou chineses que fizeram a experiência e tudo saiu do controle. Porém, realmente importa o culpado?
Quando o tempo se despedaçou, os túmulos se abriram e os mortos voltaram. Crianças se tornaram velhos e velhos se transformaram em crianças.
Dinossauros, cavaleiros medievais e homens das cavernas lutaram nas ruas. Robôs voadores cruzaram os céus e caçaram pessoas nos prédios das metrópoles.
A espécie humana foi extinta três vezes naquele mesmo dia e recriada outras três, apenas para então desaparecer para sempre.
E foi assim quando o tempo se despedaçou.

XVIII-NA ESTRADA DO TEMPO

Na estrada do tempo, há relógios por toda a parte e esperança em nenhuma. Fica no fim do universo, mas também escondida em todos os lugares.
Lá você percorrerá um caminho interminável que, porém, leva a lugar algum, enquanto sua vida se consome e se reduz a ossos e depois a pó.
Da estrada do tempo, não há volta, só o caminho a percorrer e, embora, sob certas condições, seja acessível a todos, não é recomendável a ninguém.
E foi à estrada do tempo que, após um experimento científico malogrado, o Dr. Overlando assim chegou…

XIX-JUSTINE

Raimundo Zapala cresceu na miséria. Desde o início, roubar lhe pareceu justo. Comecou com dinheiro, jóias, carros, até um amigo esquisito, metido a estudante de ocultismo, ensinar-lhe como roubar almas. Pouco depois, Raimundo descobriu que havia quem colecionasse isso e pagava bem. Enriqueceu, mas não deixou o negócio: pegara amor pela coisa.
Noite dessas estava num bar. Uma moça linda, Justine, aproximou-se dele. Beberam juntos. Beijaram-se.
Quando o beijo terminou, ela disse uma palavra. Raimundo reconheceu o encantamento. Empalideceu. Caiu morto na mesa. Justine recolheu a alma dele num pequeno frasco verde.Tinha um rico comprador australiano para aquele item.

XX- OS SETE DEDOS DE ARMANDO

Bacia de alumínio apoiada em tripé de ferro: um lavatório. Ficava no quarto de Armando Maledetto, item mágico comprado em suas viagens pelo mundo.
Armando acordou. Foi até lá. Com canivete, decepou o indicador esquerdo e deixou que o dedo afundasse na água. Era o preço. Logo as visões chegaram a sua mente. “O que seria agora?”, indagou-se. A cotação das ações, o cavalo vencedor na corrida de amanhã… Claro, os números do próximo sorteio da loteria.
Cuidou de estancar o sangue. Sorriu. Já era muito rico e tinha outros sete dedos a sacrificar.

maio 4, 2017 at 1:24 am Deixe um comentário

HQ – TK-52, O ROBÔ

Oi, pessoal,

Esta hq é o resultado de um humilde esforço meu e do artista Diego Josè (vocês precisam conhecer mais do trabalho desse cara), porém é baseada/inspirada na tira cômica “Z-25, o Robô Sensível” do artista argentino Liniers (Twitter: @porliniers). O material artístico de Liniers é extraordinário, recomendo a todos, tanto que nos inspirou a fazer esta hq (em nossa história, você pode achar um link para a tira original de Liniers, que nos autorizou a fazer esta hq).

É só clicar na imagem para ampliá-la.

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abril 27, 2017 at 10:02 pm Deixe um comentário

16 Drabbles

Olá, pessoal,

Peço desculpas pela demora entre a última atualização e esta. Em Outubro do ano passado (2017), algo bem ruim aconteceu em minha vida pessoal e do terremoto resultante.. Bem, viver ficou muito mais difícil.

Tenho em meu computador um arquivo com todos meus textos escritos, desde 2003, quando comecei a levar minha carreira de escritora amadora a sério. Excetuando algumas poucas coisas perdidas (o primeiro capítulo de “A Biografia dos Hellpats”, uma história sobre viagem no tempo que fiz em homenagem a um amigo e minha participação em dois contos coletivos num site agora extinto sobre RPGs) tenho 741 páginas. Excetuei as histórias em quadrinhos dessa contagem (para quem se interessar, tenho cerca de 50 páginas de hqs escritas por mim sozinha ou com parceira de outros autores).

Um sonho que tenho é que esse arquivo chegue a 1000 páginas. Para aumentar a quantidade de texto, impus a mim mesma três desafios. Um deles foi escrever 100 drabbles (minicontos de 100 palavras). Já tenho dezesseis. Faltam só 84.

Posto esses primeiros dezesseis aqui para apreciação de vocês.

Boa leitura.

I-JOANA DA BICICLETA

Pedalar, sempre pedalando. Apenas na sela da bicicleta azul, Joana sentia-se realmente feliz. Passava por ruas e casas; pessoas, carros e vidas, como se nada mais existisse para ela.

Sorriso de satisfação nos lábios, achava graça quando lhe diziam que, se o mundo acabasse, ela, nem mesmo perceberia.

Certa vez, pedalou mais do que de costume, até que parou cansada, debaixo de uma árvore, onde encostou a bicicleta. Sentou-se para descansar. Foi então que olhou ao redor e finalmente viu que todos estavam mortos. Toda a sociedade havia se reduzido a escombros.

Estava sozinha com sua bicicleta.

 

II-LIDE COM ISSO

Jailson se considerava feliz: era rico e casado com uma mulher perfeita.

Em fevereiro, porém, sequências de maus investimentos deixaram-no miserável e sua esposa morreu atropelada por um rabecão.

Um mês depois, voltava para sua nova casa, pequena e alugada. Gritava palavrões. Preferiria lidar com qualquer coisa, menos aquilo.

O computador estava ligado, mostrando o desenho de uma cena absurda na tela, e a frase “Lide com Isso”. Não teve ânimo para rir.

No momento seguinte, igual ao desenho, um demônio apareceu por trás dele e decapitou-o com uma foice.

— Prefere lidar com isso? — Riu a criatura.

III-SEBASTIÃO IMORTAL

Na infância, Sebastião descobriu seu dom, quando sobreviveu, impossivelmente, ao acidente automobilístico que esmagou seus pais. Aos trinta, parou de envelhecer e decidiu aproveitar o tempo para juntar a maior fortuna do mundo.

No século XXII, apaixonou-se obcecadamente por Eunice — tímida, calada e submissa. Casou-se com ela, mas ansiava mantê-la eternamente. Por isso, gastou, em pesquisas, o equivalente ao PIB da Suiça para torná-la, também, uma imortal.

Na segunda-feira, avisaram-no que em, duas semanas, começaria o tratamento final daquela mulher. Ficou eufórico.

Na manhã chuvosa de quarta, a polícia ligou-lhe: Eunice cometera suicídio com arma de fogo ilegal.

IV-SOLANO NO CÉU

Solano era o mais devotado e elogiado cristão de sua igreja. Esforçava-se dia a dia por uma única meta: ir para o céu.

Um dia, ele finalmente morreu e, ao abrir os olhos, viu-se diante do portão do paraíso e de três anjos de feições gentis.

— Oh, Eu consegui! — falou eufórico.

— Sim, e agora — disse um anjo ternamente. —, descobrirá o que acontece a cada humano que aqui chega.

— O que é? — inquiriu Solano.

Os anjos sorriram com seus olhos cheios de fome e atiraram-se sobre aquela alma. Com dentes afiados, fizeram-na em pedacinhos, que devoraram prazerosamente.

V-CAIENA

Diziam que Caiena, costureira de São Ribeirão, interior de Pernambuco, descendia de uma linhagem bimilenar de bruxas, mas ela mesma nunca falava sobre isso.

Embora de jeito simples no vestir-se, não havia mulher mais bela, por isso casou com Juvenal, solteiro mais cobiçado da região. Foram felizes, até que ele morreu, vítima de um assalto em Recife. A partir daí, Caiena vivia sozinha e celibatária.

Porém, sempre a meia-noite, invocava um feitiço proibido, então o fantasma de Juvenal aparecia, tornava-se sólido e faziam amor até o sol nascer e o espírito se dissolver de volta ao reino dos mortos…

VI – COMO SÍSIFO

Como um outro Sísifo, ele também desagradou os deuses, que o condenaram a arrastar uma grande pedra até o alto de um ladeira, apenas para ver o pedregulho despencar lá para baixo e o trabalho ter de se refeito pela eternidade.

Certa vez, porém, passou por ali perto a mais bela das mulheres. Ela parou, olhou para ele ternamente, sorriu e se foi embora.

Ele deslumbrado, perdeu a cabeça e o coração. Já quase no alto da ladeira, distraiu-se e a grande pedra rolou, levando-o junto, até esmagá-lo lá embaixo. Morreu feliz, com um sorriso no rosto.

VII-O JOÃO QUE DORME

João Trazimundo vivia muito deprimido: seu emprego se tornara uma tortura. O casamento, idem. Não suportava mais as pessoas e o mundo.

Uma noite, deitou-se rezando para nunca mais acordar. Dizem que, às vezes, os deuses atendem as preces mais estranhas… E assim foi.

Tudo isto aconteceu há cem anos. Agora, é o ano de 2117 e no Museu Governamental de Curiosidades Históricas, situado em Nova São Paulo, a capital do Império Fascista Brasileiro, sempre está exposto, numa caixão de vidro, o corpo de João Trazimundo, que nunca envelhece ou morre, mas que também nunca acorda.

VIII- CASTANHEDA

Como seu pai, seu avô e seu bisavô, Castanheda fabricava espadas mágicas que eram vendidas ao exército real, o mesmo que não perdia uma batalha há três gerações. Por isso, nenhum invasor cruzava as fronteiras do reino.

Todavia, de uma grande metrópole veio o Dr. Filógenas, que questionava isso de magia: afirmava que era superstição e, assim, as vitórias do exército real deviam-se às estratégias do rei e a coragem dos soldados. Aquele discurso contaminou a todos. As lâminas encantadas foram jogadas fora. Castanheda faliu e morreu de desgosto.

Breve um exército estrangeiro invadiu e escravizou o reino.

IX-OTÍLIO, O DESASTRADO

Dizem que, lá por volta do fim do século XXI, a Ciência desapareceu e a magia dominou o mundo.

Nessa nova era, todos eram feiticeiros, mas Otílio não se dava bem com mágica: era o mago mais atrapalhado de todos. Não acertava um único encantamento. Multidões zombavam dele. Alguns o espancavam por diversão.

Furioso e magoado, enterrou-se no estudo de feitiços proibidos. Jurou vingar-se. Uma noite desmaiou de esgotamento.

Acordou três dias depois, com o sol alto. Caminhou pelas ruas com um sorriso de triunfo no rosto:

Por toda a parte, uma doença misteriosa assassinava as pessoas.

X-ARCTOS, O DUENDE

Arctos, príncipe dos duendes, vencedor de mil batalhas, cuja espada mágica, destreza e coragem tornaram-no lendário naquele mundo, sentia-se terrivelmente entediado de tudo.

Até que Azenite, insidiosa bruxa dos duendes, falou-lhe sobre outro mundo, diferente de tudo que ele já vira. Curioso, Arctos pediu que o transportasse até lá.

Azenite assim o fez e o príncipe caiu num local onde não havia magia. Sua espada, habilidade e coragem se desfizeram. Ficou mergulhado na lama, incapaz de levantar-se, até que os quatro cães de Seu Joca vieram e o destroçaram naquele quintal de Sorocaba, interior de São Paulo.

XI-A ROSA DE ANTON HELSMER

Anton vivia sozinho e isolado de tudo, na propriedade que herdara dos pais, onde se dedicava a estudar Botânica e Magia. Sonhava produzir a mais bela rosa que já se vira.

Empenhou-se por muitos anos, enquanto seus cabelos tornavam-se brancos, porém, nenhum dos resultados lhe agradava.

Um dia encontrou o encantamento correto. Amedrontou-se no início, mas sua idade avançada e seu sonho no coração deram-lhe a coragem necessária.

Fez o feitiço no jardim. Tombou morto. Seu corpo se decompôs e, das cinzas que um dia foram Anton Helsmer, a mais bela e inigualável rosa brotou.

XII-PINGO, O FUGITIVO

Em 2017, a crise econômica devorava o Brasil. Seu Gumercindo, desempregado, afundava-se na bebida. A luz e a água foram cortadas e faltava comida naquela casa.

Numa manhã, o cão Pingo escutou seu Gumercindo conversando com a família: esfomeados, decidiram comer o cachorro. Pingo fugiu imediatamente.

Vagou triste e sem destino, até que, com a barriga faminta, distraiu-se atravessando a BR-101 e foi atropelado.

Então, um grupo de mendigos acampados perto dali, os mesmos que, meses atrás, eram os orgulhosos funcionários de uma revendedora de motos, recolheu o cadáver de Pingo para usá-lo no almoço de domingo.

XIII-PLAUTO

Caído no chão entre paredes acolchoadas, Plauto forçou novamente a camisa de força.

“É uma conspiração…”, murmurou, “Levaram minha família: Helena, Júlio e Mariane. Onde esses demônios esconderam vocês?”

Não choraria. Tinha de ser forte para fugir dali e salvar sua família.

**************

Os enfermeiros Eulálio e Alcebíades olhavam pela abertura na porta da cela do paciente nº 427.

— Quem é ele? — indagou Eulálio.

— Você é muito novo pra lembrar —, respondeu Alcebíades para o novato —. Era um cozinheiro famoso, tinha até programa de televisão. Endoidou e envenenou o jantar da família, mas não lembra do que fez…

XIV-EUSÉBIO, O CAMINHANTE

Caminhando, sempre caminhando. Quanto tempo fazia? Cinquenta anos, e ele não envelhecera um minuto e a morte nunca o alcançava.

Há cinquenta anos, Deus finalmente perdeu toda paciência com a humanidade. Os anjos desceram dos céus e queimaram o mundo inteiro.

Eusébio viu esposa e filha dissolvendo-se nas chamas angelicais. Ele gritou, sem entender porque fora poupado.

Os anjos, por não serem demônios, podiam escolher agir piedosamente e decidiram deixar uma única lembrança de que o ser humano já caminhara sobre a Terra.

E olharam para Eusébio e o amaldiçoaram a caminhar sobre o mundo para sempre.

XV-AMARYLLIS

Amaryllis, a cantora, descobriu ter o dom de manipular as pessoas com suas canções: faze-las reprimir o lado maligno do próprio coração. Com esse poder, sonhava mudar o mundo.

Logo tornou-se a sensação daquele país. Uma noite, apresentava-se na chique boate Vladimir Chenier, mas quando ia começar, um estranho levantou-se, olhou para ela e atirou-lhe direto na cabeça.

Amaryllis foi enterrada dois dias depois. O país cobriu-se de luto. Oficialmente fora assassinada por um fã louco que desaparecera.

O assassino, na verdade, um demônio chamado Remíscar, voltara ao Inferno, com a certeza de que o status quo seria mantido.

março 26, 2017 at 3:59 am Deixe um comentário

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