AS MEMÓRIAS DO PEQUENO MARIO LUIGI ROSSO

setembro 30, 2016 at 3:58 am Deixe um comentário

Oi, pessoal,

Um dia desses fui visitar um amigo e uma frase dita pelo filho pequeno dele ficou em minha minha cabeça e foi a semente para esse texto.

Além da frase do garotinho, eu também tinha em mente algo que penso há tempos: esse texto vai ser meio que minha resposta a Harry Potter. Não, eu gosto de HP,não é isso, apenas sempre pensei que dar poderes mágicos a crianças não geraria um universo tipo o do Sr. Potter…

Boa leitura!

AS MEMÓRIAS DO PEQUENO MARIO LUIGI ROSSO, 10 ANOS,
MAGO EM TREINAMENTO
Volume I

Anotação # 112

Papai estava preso dentro do telefone. Fui eu que joguei um feitiço e coloquei ele lá, mas não consegui mais tirar. Papai começou a sufocar. Fiquei com pena. Aí usei uma poção venenosa muito forte. Ele morreu rapidinho. Melhor do que ficar sofrendo, não é mesmo?

Anotação # 215

Hoje transformei todos os outros meninos da escola em sapos e as meninas, em estátuas. Será que ficava melhor o contrário? Acho que nunca vou saber: não consegui reverter os encantamentos. Foi mal, pessoal. Acho que preciso treinar mais. Pelo menos, vão fechar a escola depois disso. Nunca gostei mesmo daquele lugar.

Anotação # 313

Estou numa nova escola, que é ainda pior do que a primeira! A professora de Matemática, Dona Ziza, me deu zero na prova da 3ª Unidade. Fiquei fulo de raiva com ela. Transformei ela num cachorro e vendi para os pais de Zezinho, que queriam muito um bichinho de estimação para o filho. Eles ficaram me perguntando onde arranjei um cão tão bonito e esperto. Eu desconversei. Com o dinheiro, comprei um monte de figurinhas novas para meu álbum “Heróis do Futebol”. É, não sei fazer figurinhas com mágica. Ainda não.

Anotação # 320

Eu já disse que adoro minha Avó? Pois adoro! Ela é, tipo assim, a avó mais legal do mundo, e faz os bolos mais deliciosos que você pode imaginar. Todo ano, ela participa daquele concurso de bolos e tortas da Prefeitura, mas sempre perde para Dona Maria Sorriso, uma velha chata que é a fofoqueira mais nojenta de nossa rua. Acontece que esse ano Vovó venceu o concurso, porque, de repente, Dona Sorriso morreu de ataque do coração um dia antes da data do concurso. Bem, feitiços mortais são um pouquinho difíceis de fazer, mas, como eu disse, amo minha avó.

Anotação # 325

Desde o que aconteceu com papai, eu melhorei muito em fazer feitiços de encolhimento. Hoje encolhi minha irmã. Já contei sobre ela? Era mais velha do que eu, se achava muito certinha e queria mandar em mim como se fosse minha mãe. Ficava me beliscando e puxando minha orelha o tempo todo. Era uma malvada! E ainda ficava zombando de mim, porque sou pequeno pra minha idade: “Trepeça pequena! Tu não vai crescer, tu vai é virar anão!”. Detestava ela! O pior é que eu sabia que mamãe gostava mais daquela monstra do que de mim. Encolhi minha irmã e joguei pra uns gatos de rua famintos que ficavam num terreno abandonado nos fundos daqui de casa. Mamãe chorou muito porque minha irmã sumiu, mas mamãe é jovem e bonita. Ela ainda vai casar de novo e aí ela e meu novo pai vão me fazem uma nova irmãzinha. Pelo menos melhor que a anterior.

Anotação # 340

Vovó está muito doente. Mamãe fica chorando o tempo todo. O pior é que já fiz de tudo, mas parece que não existe feitiço pra curar essa coisa que mamãe chama de “câncer”. Aí resolvi apelar. Acontece que encantamentos pra mexer com o tempo são complicados demais de controlar. Você pisca um segundo e eles endoidam. Mas eu consegui parar antes que Vovó… Bem… Agora Mamãe diz que sente falta de Vovó (que também desapareceu, feito aquela chata da minha irmã) mas realmente ama o bebê que inexplicavelmente apareceu na cama de minha avó. Eu também amo muito minha nova irmãzinha. (Mamãe tentou com a Polícia, mas nem eles sabem dizer de onde esse bebê veio. Eu escutei eles falando com a mamãe e fiquei prendendo o riso. Eu sugeri que colocassem o nome da Vovó na nenenzinha, claro, e mamãe aceitou).

Anotação #400

Tinha um valentão na nossa escola. O nome dele era Ninoco e mexia com todo mundo. Os adultos chamam isso de bullying. A gente pequeno reclamava mais as pessoas grandes não faziam nada. Um dia, ele me derrubou no pátio da escola e fugiu com meu lanche. Eu caí e cortei o lábio. Fiquei com tanto ódio!
Depois que papai sumiu, mamãe ficou tão triste que deu todas as coisas dele: as roupas, a coleção de gibis em Inglês… Tudo mesmo, mas eu consegui que ela deixasse pra mim os DVDs de filmes de terror que papai tinha. Ela olhou com cara feia, mas deixou. Daquela coleção de papai, meu favorito era “Bem-vindos às Profundezas”. Eu adorava assistir àquele filme. Eu ficava contando a história dentro de casa e mamãe ameaçava jogar o DVD fora. Eu achava engraçado como mamãe ficava com medo de filmes de terror.
Mas eu tava furioso com Ninoco e decidi que ia me vingar e a última cena de “Bem-vindos às Profundezas” não saía de minha cabeça. Tinha de ter um jeito, um feitiço para conseguir fazer aquilo do filme. Procurei três meses para achar o encantamento certo e demorou mais um mês pra fazer aquilo funcionar, mas o resultado foi lindo:
Ninoco gostava de ficar na pracinha daqui do bairro à noite. Ele ia pra lá pra fumar (cigarro é uma coisa horrível, foi o que matou vovô, não sei como tem gente que gosta disso…). Como todo mundo sabia que ele era brabo, ele ficava sempre sozinho.
Cheguei quietinho e ele me chamou de “gayzinho” e perguntou se eu queria apanhar. Eu não disse nada, mas pronunciei o encantamento e esperei. Aí, tentáculos azuis saíram do chão e arrastaram Ninoco direto pro Inferno! Naquela hora, na pracinha, não tem ninguém, nem carro passa, aí ninguém viu. Se bem que, quem é que gostava de Ninoco? Fiquei tão orgulhoso de mim mesmo e fui pra casa pra comemorar: com biscoito recheado e Coca-Cola e assistir de novo ao ‘‘Bem-vindos às Profundezas”.

Anotação #410

Era época de Carnaval e eu detesto Carnaval. Tinha um bloco (“Os Errados do Frevo”) que ficava passando aqui pela rua todo dia. Uma barulheira danada. Eu nem conseguia assistir direito o anime Astroship Princess Kalena. Me dava uma raiva danada! Hoje, eu perdi a cabeça: quando eles tavam passando, eu corri pra janela e gritei uns palavrões horríveis que aprendi com papai. Mamãe escutou e disse que ia me dar uns tapas na boca porque falei aquelas coisas. Bem, palavrão não adiantava mesmo. Aí fiquei pensando num encantamento, mas aquele barulho todo não me deixava pensar direito e eu falei baixinho o que me veio no pensamento. Cara! Foi demais, o bloco inteiro dos Errados do Frevo desapareceu igualzinho a imagem na televisão quando falta luz. Sério! Juro que não sei o que fiz ou o que aconteceu com eles ou onde foram parar… Quem se importa? Corri pro DVD para assistir Astroship Princess Kalena e comer muito salgadinho Doritos com Coca-Cola pra comemorar.

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