GIUSEPPE, O DE MUITOS CORAÇÕES

agosto 14, 2016 at 1:03 pm 3 comentários

Pessoal,

Nos próximos dias, meu filhote completa dezoito anos. No aniversário dele do ano passado, dei um texto de presente para ele (“O Espírito de Junho”). Este ano ele pediu dois. Este é um deles.
Sim, ele gosta de histórias bizarras e extremas (e, em parte também, foi bom escrever isto porque tratar com as metarrealidades da séria “Historietas Inquietas” e a metáfora amarga de “A Metáfora dos Macacos” tem me deixado com um gosto azedo na alma…)
Boa leitura!

GIUSEPPE, O DE MUITOS CORAÇÕES

Numa humilde casinha branca de portas verdes, que ficava depois da Terra de Nod, lá na beira de um abismo bem pertinho do Inferno, onde fica o fim do mundo, era lá nessa casinha que morava Giuseppe Martins e há tanto tempo ele já vivia naquele lugar que se esquecera de sua vida antes de chegar ali.
De todas as coisas que podiam ser contadas sobre ele, havia duas ou três que eram realmente notáveis:

A primeira delas é que Giuseppe já tivera não apenas um, mas sim mil corações, todos pequeninos o bastante para caberem naquele corpo, mas cada um deles era tão poderoso que, sozinho, poderia mantê-lo vivo.
A segunda coisa notável sobre ele é que padecia de um tédio crônico e uma tristeza daquele tipo incurável, e isso levava a terceira das características mais curiosas daquele homem:

Quando estava mais triste do que de costume e seu tédio se tornava maior do que ele poderia sonhar aguentar, Giuseppe arrancava um daqueles corações e, assim, a tristeza aliviava quase a ponto de ir embora e o tédio se aquietava tão calminho, como se até não existisse. E, por algum curto tempo, ele sentia-se em paz.
E assim se passou o tempo naquela casinha e veio uma época em que Giuseppe, ao invés de mil corações, apenas cem corações lhe restavam…

FIM

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A Metáfora dos Macacos UM MOMENTO TÍPICO NA VILA ZECA TIMÓTEO

3 Comentários Add your own

  • 1. Ana Lúcia Merege  |  agosto 14, 2016 às 1:36 pm

    Nossa… E quando Giuseppe não tiver mais nenhum coração? Pior que de certa forma alguns de nós somos como ele, anestesiando-nos contra as coisas sombrias que o dia-a-dia nos traz. Às vezes não é possível endurecer sem perder a ternura.

    Responder
  • 2. Marco Aurélio Marques  |  setembro 11, 2016 às 11:21 pm

    muito interessante , gostei demais, acho que carrego muitos corações viu…

    Responder
  • 3. Marco Aurélio Marques  |  setembro 11, 2016 às 11:23 pm

    muito bom , acho que também carrego um tanto de coração dentro de mim ….

    Responder

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