AKTOM, O PIEDOSO

janeiro 6, 2015 at 4:58 am 1 comentário

Pessoal,

Talvez alguns leitores mais antigos meus lembrem que imagino o conjunto de minhas histórias como ocorrendo num tipo de multiverso, no qual tenho alguns personagens recorrentes.
Entre eles estão os Malkins, uma raça ou povo que aparece, em algumas versões de meus textos, como uma raça alienígena e, em outras, como um povo humano da antiguidade.
Numa dessas versões, um pequeno poema que fiz há tempos, alguém imaginei uma língua para eles (para uma das versões humanas deles).
Retomo essa idéia para este texto.
Igualmente, leitores mais antigos poderão lembrar desse meu “Bestiário de Amarante”. Começou com o enredo para um conto que ainda não pude escrever. Imaginei, enquanto o conto não sai, que seria interessante para os leitores poderem ver algumas páginas desse livro ficcional (em que expando e resignifico o que seria um bestiário).
Boa leitura.

DO BESTIÁRIO DE AMARANTE – PAGS. 42-44
AKTOM, O PIEDOSO

AKTOMIN YUANEH

TOM ZAHMI LAHNU UDHU
TOM ZAHMI BAKTU IDHU
UUUUUUUUUUUUUUUUUUUU
TOM NAYESHA NEH
TOM MEKTU ZAHMI
IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII
AKTOM NAGUECHAH
ODOH YLEH MAH YANOH
OOOOOOOOOOOOOOOOOOO
AKTOM ZAHMI
AKTOM ZAHMI
IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII
TOM NAYESHA NEH
BAHDIH YDHU-YAUH
BAHDIH YDHU-YAUH
UUUUUUUUUUUUUUUUUU

PRECE A AKTOM

(AK) TOM PIEDOSO ESCUTA-ME
(AK) TOM PIEDOSO TE IMPLORO
OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
(AK) TOM DE NÓS HUMANOS TE LOUVO
(AK) TOM ACIMA DE TODOS PIEDOSO
OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
AKTOM INTERCEDA
COM TUA MÃO DIVINA ME PROTEJA
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAs
AKTOM PIEDOSO
AKTOM PIEDOSO
OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
AKTOM DE NÓS HUMANOS TE LOUVO
SALVA MEU CORPO E ALMA
SALVA MEU CORPO E ALMA
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

As Origens

Na mitologia Malkin, Aktom era o deus mais querido e cultuado pelos seres humanos, porque, assim dizem, era também aquele que os amava.
Sobre sua origem, há muitas versões. Em uma delas, ele próprio teria sido um humano que, por meios não explicados, ascendeu ao status de divindade e, assim foi habitar com os outros deuses.
Já outra história defende que Aktom seria filho de Sakhmet, deusa da esperança, com um humano. Corroborando esta versão, os sacerdotes e teólogos apontam que Aktom veio, com o tempo, a assumir o papel de Sakhmet, que poucas vezes é citada nas histórias após o aparecimento dele.
Uma terceira narrativa afirma que Aktom foi criado pelo ser misterioso e sem nome, ao qual não se presta culto, que também criou todos os outros onze deuses do panteão Malkin, antes de retirar-se para lugar desconhecido, e que não é um deus, mas sim algo diferente e maior. De acordo com essa história, a criação de Aktom teria servido para mediar a relação entre os humanos e os deuses.
Um quarto mito, que tem grande predileção entre os estudiosos, atem-se a própria etimologia do nome Aktom. Embora, tradicionalmente, admita-se que “Aktom” é uma palavra composta por três monossílabos, originados da língua inicial falada pelos Malkins, e que significaria algo como “diferente” ou “único”, há quem queira traduzir como “primeiro de seu tipo” ou “primeiro de uma multidão” e, assim, portanto, Aktom teria sido criado pelos onze deuses do panteão Malkin como o primeiro ser humano, aquele a partir do qual todos os outros primeiros foram criados.

Defensor da Humanidade

Seja como for, conta-se que, certa vez, após observarem o mundo por um ano inteiro, os deuses entediaram-se e se revoltaram com a humanidade e decidiram exterminá-la. Aktom, por amar os seres humanos, discordou e se opôs ao genocídio, o que o levou a uma guerra contra o restante do panteão.
Muitos dias de conflito se passaram e os outros deuses, em maior número e, portanto, maior poder, adquiriram vantagem sobre ele e ofereceram-lhe perdão por ter se revoltado contra as outras divindades, pois estavam cansados daquele confronto e ansiavam que a paz pudesse voltar ao Reino Divino. Propuseram-lhe que se rendesse e se juntasse aos outros no plano de extermínio dos humanos. Aktom recusou-se e a guerra prosseguiu. Foi quando os outros deuses perceberam que a única forma de encerrar com tudo aquilo seria assassiná-lo. E assim o fizeram.
Seu corpo, transpassado por espadas e lanças, foi colocado no chão de mármore, no centro do Reino Divino, e os onze deuses o contemplaram e ponderaram sobre o assunto por doze dias e noites seguidas.
Ao final, juntaram-se e choraram. Na mitologia Malkin, nunca antes um deus havia morrido e, ainda pior, executado por seus pares. Os Malkins acreditavam que, diferentes dos humanos, os deuses não possuem alma e, portanto, ao morrerem realmente deixam de existir. Para uma divindade, um ser naturalmente imortal, a perspectiva da não existência é o conceito mais terrível que se possa imaginar.
Da mesma forma, o povo Malkin afirmava que não é possível, mesmo para os deuses, ressuscitar um humano, todavia, um deus que tenha sido assassinado pode ser trazido de volta, contudo, uma única e só uma vez em toda a eternidade.
Assim os deuses fizeram e arrancaram as espadas e lanças do corpo de Aktom, juntaram todo o poder que possuíam, trouxeram-no de volta à vida e com ele firmaram um pacto:
Não tentariam novamente exterminar a humanidade, não até o dia em que um humano pudesse descobrir todas as doze palavras secretas/proibidas, as quais os deuses esconderam dos mortais no início do mundo.

A Prece

Havia pelo menos cem preces/canções Malkins em louvor a Aktom, porém, nenhuma era mais famosa que “AKTOMIN YUANEH”.
No começo, os eruditos estranharam a linguagem usada nesta prece, quando comparada ao Malkin clássico, até que se descobriu tratar-se de um dialeto.
Observe-se que há momentos nesta canção em que Aktom é referido apenas como “Tom”. Na religião Malkin, seria uma blasfêmia encurtar o nome de uma divindade, porém, essa prática era admissível quanto a Aktom por acreditar-se que seu grande amor pela humanidade o deixava tolerante aos humanos.
Na prece, Aktom é chamado de “TOM NAYESHA”, sobre o que há um curioso detalhe: na lenda de Aktom, conta-se que, após ter sido revivido pelos outros deuses, estes o chamaram pejorativa e jocosamente de “Aktom Aye”, ou seja, “Aktom dos Humanos”. Os Malkins, no entanto, incluíram o prefixo “N” e o sufixo “SHA”, que modificavam o significado para “Aktom de Nós Humanos” e acrescentavam um tom de agradecimento e proximidade e afastava o aspecto de zombaria da expressão original.
De mesmo modo, os outros deuses se referiram a ele como “ZAHMI” (piedoso), uma crítica a sua postura para com os humanos. Os Malkins, por sua vez, repetiam essa expressão na prece para elogiar Aktom, até mesmo acrescentando o verso “TOM MEKTU ZAHMI”, em que é usado a adjetivo “MEKTU” (acima de todos, o mais) para reforçar essa idéia de elogio.

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Eu Vejo… Bizarrias 3 de 10 – VOVÓ LEHZEN SERVE SEU CHÁ

1 Comentário Add your own

  • 1. Daniel Folador Rossi  |  janeiro 6, 2015 às 11:09 pm

    Curti, Rita. O tom ficou legal, bem no estilo explicativo de um bestiário, e o fato de começar com o poema e terminar versando sobre ele fechou bem o conto. (:

    Responder

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