Morton

novembro 2, 2013 at 1:50 pm 5 comentários

Oi, pessoal. Sei que ando bem atrasada com as atualizações deste blog. Tem haver com muita coisa ocorrendo em minha vida, o que, quando não me atrapalha, esgota-me fisicamente ou mentalmente.

Além disso, tenho me dedicado aquele projeto literário que já mencionei superficialmente e também escrito letras de músicas (sério) para um colega meu. Tudo isso é claro me ocupa. Ah e  nos próximos dias vou estar ajudando uma colega a fazer um artigo.

Claro que fico me lembrando de um conselho que me deram uma vez, um dos melhores que já escutei: “nunca deixe a vida te impedir de fazer o que você gosta.”

Um conselho que ainda quero seguir.

Assim, para esta atualização, eu posto um texto inédito, o qual vai ser publicado aqui porque acabou não cabendo naquele projeto que mencionei. Aproveitei para dedicá-lo a um grande amigo, Fábio Gafa Suguiyama, que é, para mim, um herói da vida real. Posto esta história torcendo e rogando a todos os deuses e deusas que ele alcance, ainda em vida, os sonhos pelos quais tanto batalha e que o destino dele seja o contrário do personagem Ariosto desta história.

Boa leitura.

Rita

P.S.: Ah, escutando “The Rains of Castamere”, disponível no Youtube. Seriamente recomendo, especialmente se você, feito eu, ama a série Game of Thrones.

MORTON

Por Rita Maria Felix da Silva

“Meu querido filho Ariosto,

Agora estão chamando você de ‘terrorista’. Está feliz com isso? Para que esse plano? O que é que você tem na cabeça? Reunir grupos radicais, em escala global, com a intenção de derrubar o Capitalismo? Isso é Loucura!

Pense em lugares como Times Square, Wall Street, a Plaza de España, a Piazza Navona, o Palácio de Buckingham, e tantos outros, cobertos de sangue e cadáveres. Consegue visualizar o Tâmisa, o Hudson, o Elba, o Reno e o Danúbio maculados por corpos mortos? E imagine todo o caos, dor e sofrimento; toda a selvageria e desespero em que o mundo seria mergulhado. É isso que você quer para este planeta?

Escute-me: sabe que tenho contatos muitos poderosos e eles me advertiram. Houve uma reunião secreta em Genebra e o assunto foi você. Convocaram um assassino, o mais caro e renomado que existe. O nome é Morton e contam coisas sobre ele, coisas sobrenaturais. Dizem que está vivo desde Elizabeth I. Claro que não acredito numa bobagem dessas, mas não quero que façam mal a você. Olha, considerando tudo o que já fiz por eles, ofereceram-me um acordo vantajoso. Desista e poupam você. Oferecem-lhe até uma nova identidade e aposentadoria abastada.

Por favor, aceite.

Com todo amor,

Sua mãe.”

Ariosto segurou a carta por um instante e ponderou. O mundo precisava ser salvo do Capitalismo e cabia a ele fazer isso. Então amassou o papel, jogou-o num cesto de lixo e apenas murmurou:

— Não.

Nesse instante, a lâmina de uma adaga elizabethana cortou-lhe a garganta. Seu cadáver tombou no chão do esconderijo em Villa del Rosario, Colômbia.

De pé, Morton limpou a lâmina e suspirou lamentosamente. Outro sonhador assassinado. Outro sacrifício para a Deusa da Morte, e, assim, a vida de Morton era prorrogada mais uma vez.

FIM

Dedicado a Fábio Gafa Paro Suguiyama

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Fantasia Heróica A Canção de Yakbet-Yon-Yokbar, o Elfo Maligno

5 Comentários Add your own

  • 1. Yarin Melo  |  novembro 2, 2013 às 2:21 pm

    Ótimo conto, faz imaginar como Morton sobreviveu aos séculos, e quantas vozes de revolução foram silenciadas por sua lâmina, além de me fazer perguntar, quem era a mãe de Ariosto?

    Responder
  • 2. Adriana "Strix"  |  novembro 4, 2013 às 6:35 pm

    Gosto muito desse conto. Ele tem um cenário de fundo muito bom, evoca muitas coisas e o fim é bem eficiente. 🙂

    Responder
  • 3. Fábio Gafa Paro Suguiyama  |  novembro 8, 2013 às 11:28 pm

    Querida,
    Fiquei emocionado, até um pouco constrangido…
    Não sei lidar muito bem com agrados. Não estou acostumado.
    Belo conto. Foge um pouco de seu estilo, mas mantem seu método narrativo.
    Você consegue ser sucinta; Sintetizar em poucas palavras oque poderia dar páginas. 🙂
    Nestes dias em que estamos passando, viria a ser um bom livro policial.

    Baci nel tuo cuore, bella!

    Responder
  • […] mais atentos: Olga Charpentier (cujo trecho de memórias aparece nesta história), é a mãe de Morton, personagem título do conto de mesmo nome. Boa leitura! Beijos […]

    Responder
  • 5. Alison Goncalves  |  junho 4, 2016 às 2:03 am

    Na verdade eu imaginei todos estes lugares cobertos de corpos, mas Morton estava ali para impedir. Gostei do conto e do personagem, espero vê-lo mais vezes ^^

    Responder

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