Yuri e Pierre

março 10, 2013 at 2:20 am 5 comentários

YURI
Por Rita Maria Felix da Silva

Naquele café da manhã, Mikhail, pai de Yuri, finalmente perdeu a paciência com ele:

— És uma vergonha para esta família! Pareces-te demais com… Aquelas coisas lá embaixo! Sou o chefe desta casa. Quero-te fora daqui imediatamente ou te arranco a cabeça!

Yuri obedeceu e a família se reuniu em frente à Casa Sombria para vê-lo partir: pai Mikhail, o vampiro; tio Konrad, lobisomem; lacrimosa mãe Adina, um súcubo; tia Amunet, a múmia; tia Christelle, bruxa ardilosa; e primo Abaeté, anfíbio humanóide da Amazônia.

Nenhum deles arriscou-se a desafiar a ordem de Mikhail. E assim, tristonho, Yuri desceu até a aldeia, para viver com os humanos.

FIM

Dedicado a um de meus ídolos, o escritor John Ostrander (criador de GrimJack)
Dedicated to one of my idols, the writer John Ostrander (GrimJack´s creator)

PIERRE
Por Rita Maria Felix da Silva

Em frente ao centro de pesquisas vassamita. Fila infindável. Pierre, lacrimoso, esperava. Conversara com a esposa Margaux, pela manhã:

— Desde que nosso povo perdeu nosso mundo e nos espalhamos pela Galáxia, é esse sofrimento. Não agüento ter vergonha do que sou e toda essa humilhação. Quero trabalho, escola e dignidade. Vou me inscrever naquele “procedimento” do governo vassamita.

— Pierre, apenas 10% dos candidatos sobrevive. É suicídio.

— Melhor que viver assim. Você vem?

— Não.

— E se sobrevivo?

— Não quero um vassamita.

Beijaram-se pela última vez.

No presente, Pierre observava um cartaz no centro de pesquisas:

“Não seja mais um monstro! Torne-se um vassamita! Candidate-se ao Procedimento para deixar de ser humano”.

FIM

Dedicado a Thina Curtis

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O RISO DE ANKIL-MELAKIAN O JULGAMENTO DE CHRISTOPHER TYNARD

5 Comentários Add your own

  • 1. Heitor Vasconcelos Serpa  |  março 10, 2013 às 2:56 am

    Gostei muito de ambos, especialmente do último. Bate muito com a realidade pós apocalipse que imagino… Beijos.

    Responder
  • 2. Alison Gonçalves  |  março 10, 2013 às 3:04 am

    Amei Rita, lembrei porque sou um fã assumido seu.^^

    Responder
  • 3. Alvaro Domingues  |  março 12, 2013 às 11:36 am

    Ambos estão bons. Gostei mais do segundo, onde o nível de surpresa é bom. Já no primeiro, o final é previsível, a partir das palavras Casa Sombria. Contudo os dois juntos funcionam bem, como um sendo contraponto do outro.

    Responder
  • 4. carlosdonizetti  |  março 13, 2013 às 1:13 am

    Bom texto…Adorei…

    Responder
  • 5. Ana Lúcia Merege  |  março 29, 2013 às 3:15 pm

    Rita, concordo com o Alvaro, os dois contos funcionam bem juntos, mas o primeiro é previsível mesmo. Se você o aumentasse um pouco, inserisse suspense no meio e só no fim se percebesse como é a família, daria uma emoção a mais. 🙂

    Responder

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