YOLANDA, CAIO E ZAIDA

janeiro 14, 2013 at 3:01 am 2 comentários

Pessoal,

Como minha cabeça, alma e coração não andam muito bem para escrever, acabei encontrando esse texto em meus arquivos, um antigo que não postei aqui no blog. Aproveitei para uma revisada nele e postá-lo aqui. É uma história com um triângulo amoroso (?) bem bizarro e um dos primeiros (e, considero, mais terríveis ) vilões que escrevi. Leitores mais atentos irão perceber que essa história se passa no mesmo universo de “Você no Espelho” e “Dissolução e Ironia”.

Boa leitura.

YOLANDA, CAIO E ZAIDA

Por Rita Maria Felix da Silva

Nas primeiras memórias de Yolanda, sua mãe era perseguida por pessoas más. Em algum momento, a menina se viu sozinha num orfanato na colônia terrestre de Beta-LV.

Quando adulta, nas ruas e sem emprego, aceitou a proposta de Skander, um cafetão. Trabalho humilhante, mas morrer de fome e frio seria pior.

O tempo passou e os anos de sofrimento consumiram sua alma. Yolanda olhava para as naves decolando do espaçoporto de Beta-LV e sonhava partir para uma nova vida na Terra. Contudo, para obter um passe de livre trânsito, o suborno dos burocratas do Ministério da Emigração era mais dinheiro do que ela poderia conseguir.

Porém, certa vez Skander a enviou a um hotel na periferia. O homem que a recebeu (dizia-se chamar Raul), tinha sotaque da Terra e prometeu-lhe uma fortuna por uma única noite.

Ele foi monstruoso. Quando terminaram, Yolanda estava coberta de ferimentos e contorcia-se de dor na cama. Ela olhou-o numa mistura de medo e ódio.

Raul ainda estava despido, de pé no quarto. Ele retirou de uma gaveta seu cinto e acionou um pequeno computador na fivela daquela peça de vestuário.

— Quero a análise do segundo DNA. — ordenou ele para a máquina.

A voz que respondeu era idêntica a de Yolanda:

— Segundo indivíduo é replicante do primeiro — respondeu a máquina.

— Essa voz… — Yolanda indagou assustada.

— Parece a sua? É de seu “original”. Fiz questão que este computador fosse programado com essa voz. Você não sabia que era uma replicante, um “clone”, se preferir o termo politicamente incorreto?

— Não há replicantes em Beta-LV.

— Exceto você. — respondeu Raul e voltou-se para o computador — Desative a máscara facial.

Então, o rosto de Raul mudou para uma face diferente. Seu verdadeiro rosto. Yolanda lembrou do que diziam, sobre oos ricos da Terra usarem disfarce quando precisavam sair do planeta e queriam evitar atenção.

— Sou Caio Gustavus Filomeneus, “O homem mais rico da Terra”. O Conselho Mundial controla a Terra e as colônias. Eu controlo o Conselho.

Yolanda lembrou dos comentários sobre ele. Seu medo cresceu ainda mais.

— E o que você…

— Há alguns anos, conheci uma moça chamada Zaida. Eu a mantinha acorrentada. Transar com ela era bom, mexia comigo. Nunca havia gostado de alguém antes dela. Amava feri-la, aterrorizá-la e vê-la choramingando. Jurei que a teria para sempre comigo.

“Um dia, Zaida fugiu. Executei uma dúzia de empregados por esse descuido. Meus mercenários rastrearam-na até aqui, em Beta-LV. Ordenei uma morte dolorosa. Quis ver o corpo antes de mandar incinerar. Abracei o cadáver e chorei tão ternamente e sinceramente quanto é possível.

“Há alguns meses, por acaso, descobri você num relatório do censo de Beta-LV. Zaida não podia ter filhos (porque mandei que a esterilizassem. Afinal, ela sonhava ser mãe… Isso a faria feliz. O que eu jamais permitiria…) Nunca imaginei que ela faria um clone — afinal a religião dela não permite… E conseguiu te esconder antes que eu a pegasse…”

Caio ficou em silêncio. Retirou da gaveta uma arma.

— Por favor, não…

— Fique calada, por favor. — disse Caio — Sabe, antes de você chegar, pensei em esquecer esse assunto. Afinal, Zaida está morta. Mas você me lembra demais ela… Transa do mesmo jeito… Me faz sentir feliz como Zaida fazia… E eu ainda a amo…

E a última imagem da vida de Yolanda foi Caio disparando o laser contra ela.

FIM

Dedicado a Miguel Carqueija

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Os números de 2012 História Antiga – Segunda Versão – Uma Pequena Divergência

2 Comentários Add your own

  • 1. Alex Voorhees  |  janeiro 14, 2013 às 3:25 am

    Conto bem cruel e com espírito futurista, como em Blade Runner, gostei bastante! E que vilão mesmo, como vc disse…

    Responder
  • 2. Egon Ouriques  |  janeiro 22, 2013 às 2:50 am

    Oi Rita tudo bem? Nao sei se vc lembra de mim faz tempo que nao nos falamos. (Nos conhecemos pelo orkut http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=7700618030982397825 provavelmente na mafia dos livros) Tava falando sobre minha vo ela estava me mostrando algumas poesias que ela havia escrito entao lembrei de voce e do seu blog. (Li quase todos os posts mais antigos) Entao decidi passar aqui e vi que tava cheio de conteudo novo. (lerei tudo com certeza). Entao so estou escrevendo pra dar um oi.

    — Oi… =]

    Egon Ouriques.

    (desculpa a falta de acentuacao)

    Responder

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