“Fim de Noite” e “Tardia”

maio 7, 2012 at 5:29 am 8 comentários

Sobre estes textos

Oi, de novo, pessoal!

O texto “Fim de Noite” é o resultado, ligeiramente ampliado, de um exercício na Oficina de Escritores (OE). O tema era “dragões”. O engraçado é que eu já tinha o enredo para esse conto rascunhado em minha mente, esperando para ser escrito, e por um coincidência fantástica o tema era o mesmo. Aí foi só trabalhar nos detalhes. Sim, é um de meus contos que se passa em São Bento da Trindade, uma cidade de um universo ficcional meu que já não mais existe.

O conto “Tardia” não é novo. Também foi outro exercício na OE, esse com o tema “língua”. Publico-a aqui pois meus leitores mais recentes certamente não o conhecem. Lembro que, faz muito tempo, ele teve uma acolhida tão boa por parte do RPGX, um site sobre RPG do qual eu participava. Ótimos tempos aqueles. Boa leitura!

Beijos

Rita

FIM DE NOITE

Por Rita Maria Felix da Silva

Boate “Le Paradis Bleu“. São Bento da Trindade, interior de Pernambuco. 04h00 da madrugada.

Tiānnu conversava com Clécio. Bonitinho, mas, após alguns minutos, o rapaz já se mostrava um canalha.

Aborrecida, ela acendeu um cigarro e saiu sem se despedir. No estacionamento, Clécio a seguiu. Tiānnu se virou e disse alguma besteira, torcendo que ele fosse embora. O moço puxou um revólver.

Devia ser louco. Todavia, ela estava sem paciência para tipos como aquele. Esquecendo-se do disfarce humano, cuspiu fogo sobre Clécio, que foi reduzido a cinzas.

Olhou ao redor. O estacionamento parecia vazio, mas isso não importava muito. São Bento da Trindade era um lugar incomum onde coisas extraordinárias aconteciam e as pessoas comuns haviam aprendido a fingir não estarem vendo nada fora do normal. Aprenderam também a não comentar.

Tiānnu acendeu outro cigarro e foi embora. Às vezes, se perguntava se seu pai, o grande Gulao Delóng, o último dos deuses dragões, não tinha razão. Afinal, por que ela ainda perdia tempo visitando este mundo?

FIM

Dedicado a Giulia Moon

TARDIA

 Por Rita Maria Felix da Silva

Sâmia esperou Allors por quase cinco anos. Ele voltou irrevogavelmente ferido, despencou da sela e a jovem correu para socorrê-lo.
— Morro por minha tolice – lamentou ele – Ao invés de ficar aqui com você e ser feliz, procurei o Adebe-on-Ugir, a língua do Povo Antigo, do poder e da  magia. Uma mentira. Fiz inimigos no Leste. Alguns me seguiram.
Do horizonte vieram cinqüenta cavaleiros. Breve, cercaram os dois.
Sâmia olhou para os estrangeiros. Pronunciou três sílabas e eles tombaram horrivelmente dilacerados.
— O que…? – indagou Allors.
Adebe-on-Ugir. Meus ancestrais falavam isso. Jurei nunca usar. Servia para guerra e vingança, não para salvar vidas.
Allors sorriu e morreu.
Sâmia chorou e pronunciou outra sílaba. Chamas cobriram os corpos daqueles dois amantes.

FIM

Dedicado a Adriana Rodrigues (Strix van Allen)

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Dois novos textos “Fabulismo” e “Seu Juca”

8 Comentários Add your own

  • 1. Matheus Carvalho (@mtheuscarvalho)  |  maio 9, 2012 às 12:26 am

    O primeiro conto é gracioso, enquanto o segundo nos traz uma triste ironia. Consegues trazer a fantasia ao mundo nosso sem fazê-la parecer falsa, Rita.

    Responder
  • 2. Alex Voorhees  |  maio 10, 2012 às 3:42 am

    Bem “reptiliano” o conto, na verdade os contos. Muito bem, parabéns pelos textos!

    Responder
  • 3. Deltonix  |  maio 11, 2012 às 1:43 pm

    Excelente, como sempre! 😀

    Responder
  • 4. carlosrelva  |  maio 12, 2012 às 4:16 pm

    A cidade do primeiro conto é muito interessante. Um lugar onde coisas estranhas acontecem e as pessoas fingem não ver. Lembrou-me um episódio de Amazing Stories, onde um cara que vai morrer foge para uma cidade que “não está no mapa”. Ele, assim, tenta enganar a morte. O segundo conto mostra que o que procuramos pode estar mais perto do que imaginamos. Ensina também que nossos desejos podem não se concretizar da forma que queremos… Muito interessante. Parabéns!

    Responder
  • 5. Heitor V Serpa  |  maio 13, 2012 às 3:28 am

    Como sempre, é difícil comentar algo além de elogios. Adorei particularmente o primeiro, pois considero extremamente difícil misturar realidade e ficção como você fez; aliás, este seria um exercício bem interessante para mim… Se importaria se eu tentasse algo parecido inspirado em você?

    Beijos

    Responder
  • 6. Diego Jose  |  maio 13, 2012 às 4:11 am

    Adorei, Rita, seus contos sempre enchem a imaginação!
    DJ.

    Responder
  • 7. Edgley Silva  |  maio 18, 2012 às 12:29 pm

    Gosto quando despertam minha imaginação, e você faz isso como ninguém. Sempre me surpreende. Parabéns muito bom !!!

    Responder
  • 8. Wilson  |  maio 25, 2013 às 4:22 am

    Fico aqui pensando de onde ela consegue se inspirar para criar os nomes de seus personagens caracteriza=los sobre o tema desenvoilvido e integra-los ao meio, muito bom mmesmo Rita, Parabéns

    Responder

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