Dois textos para o Natal

dezembro 26, 2011 at 6:03 am 5 comentários

Pessoal,

Novembro e dezembro têm sido meses bem difíceis para mim em todos os campos e isso, naturalmente, interfere em meu trabalho literário. Assim, peço desculpas aos leitores pelo atraso nas atualizações.
Tentando superar essa fase complicada, volto a atualizar o site. Também voltei a traduzir quadrinhos, algo que também adoro, mas ainda devo alguns textos, um deles a um amigo aqui na Internet. Mas pretendo resolver essa pendência até amanhã.
Como um presente de Natal, atrasado, para meus leitores, esta atualização vai com dois textos.
O primeiro, “Anqueu e Ketelyn”, conclui a “Duologia do Orgasmo”, iniciada no post anterior com “Tabu Divino”. Já tive a oportunidade de explicar que, ambos os textos, e aquele de que falarei no parágrafo abaixo, são resultado de exercícios literário na Oficina de Escritores, um grupo de autores na Internet ao qual tenho a honra de pertencer. ” Anqueu e Ketelyn”, é uma idéia que o tempo não me deixou aproveitar nesse exercício.
“Pequenas Bombas Biológicas” é meu texto de Natal. Deveria ter sido para um exercício na Oficina de Escritores com o tema “Estranho Noel”!, porém, não consegui participar.
Feliz Nata e o melhor ano novo para todos. Muito obrigada pelo carinho de vocês em 2011.
Beijos
Rita

ANQUEU E KETELYN

Por Rita Maria Felix da Silva

Em algum ponto remoto de sua história, o povo do Planeta Gumuntaga foi escolhido pelos Deuses para se tornarem imortais e eternamente jovens; livres das doenças, da fome, do sono e de qualquer mal ou fraqueza que ainda afligem outros seres menos afortunados.

Todavia, as divindades eram, por sua própria natureza, obscuras, e, pelo que haviam oferecido, apenas uma regra impuseram, como mandamento sagrado:

Entre aquele povo, ninguém poderia copular. E, sendo os deuses também caprichosos, jamais tentaram explicar qualquer motivo para essa proibição.

Grato e temeroso, o povo obedecia e aproveitava a condição paradisíaca que lhes fora concedida. Assim foi por muito tempo.

Porém, certa vez, Anqueu e Ketelyn reviraram livros antigos e proibidos e souberam de coisas abandonadas há muitos ciclos solares.

Ele e ela, ignorando a tradição e a prudência, abraçaram para si um sentimento já esquecido pelo seu povo e se apaixonaram.

Então, afastaram-se de todos, encontraram-se em segredo e deitaram-se e copularam, até chegarem naquela palavra perdida chamada “orgasmo”. Quando terminaram, ambos tinham um sorriso no rosto e a maior felicidade que já puderam sentir.

Porém, logo começaram a sentirem-se estranhos, gritaram de dor pela primeira em uma eternidade e rapidamente envelheceram e definharam, até que, daqueles amantes tudo o que restava eram dois cadáveres ressequidos.

Breve, ou melhor, no espaço de tempo que um humano chamaria de “poucas horas”, um destino exatamente igual atingiu todo o povo de Gumuntaga.

FIM

Dedicado a Eric Novello

PEQUENAS BOMBAS BIOLÓGICAS

– Um Inesperado Conto Natalino –

Por Rita Maria Felix da Silva

Bem no centro do universo, num lugar sem nome, ficava um disco prateado cujo raio não era menor que o da Via Láctea. No meio exato de tal lugar, podia-se ver o trono de Zeus, Rei dos Deuses.

Quase na borda desse disco prateado, estava o escritório do ogro Svdar, que trabalhava para Zeus. Ele não saberia dizer quando começara nesse emprego, afinal, o pagamento (“juventude e vida eternas, enquanto seu desempenho for satisfatório”) ajudava a atrapalhar sua memória.

Naquela ocasião, o ogro checou os relatórios mais uma vez. Queria ter certeza das conclusões, afinal o Chefe não gostaria de enganos num assunto grave como esse. Estava tudo certo. Suspirou preocupado.

Juntou as três páginas do documento, enrolou e guardou-as num tipo de cilindro feito com a pele cinzenta de algum animal. A extremidade de cima ele fechou com uma tampa de madeira. Emitiu um assovio composto de quatro notas musicais e, quase imediatamente, um duende-mensageiro apareceu.

— Leve isso para o Chefe. — disse Svdar, enquanto entregava o cilindro ao mensageiro.

A pequena criatura partiu ligeira. Mesmo a mais rápida das máquinas já criadas pelos humanos demoraria talvez uma eternidade para cobrir a distância entre o escritório de Svdar e o trono do Rei dos Deuses, mas aqueles duendes-mensageiros eram as coisas mais velozes que se possa imaginar, e a mensagem chegaria a seu destino em pouquíssimo tempo.

O ogro sentou-se de volta à escrivaninha e começou a rascunhar cálculos. Era uma situação bastante séria e seu Chefe iria querer propostas de medidas bem elaboradas para lidar com o assunto. Enquanto escrevia, lembrava de trechos do documento que enviara a seu mestre:

“(…) a recente vitória das Divindades, sobre vosso comando, na guerra contra os demônios, o que, finalmente, trouxe a extinção à desprezível espécie demoníaca. Obviamente uma minoria de Deuses, mais liberais, pode queixar-se alegando ‘genocídio’, porém, é uma minoria inexpressiva, indigna da atenção de Vossa Majestade.

O problema, contudo, é que o conflito liberou uma gama imensurável de energias desagradáveis e algumas entidades menores acabaram sendo afetadas, especialmente aquelas que são mais queridas pelos mortais. Temo o quanto isso poderá acarretar de baixas entres os humanos (solicito que analise minhas estimativas sobre o assunto). Entre os seres afetados, chamo grave atenção a Yur-Yulek-Wantabi, mais conhecido pelos habitantes da Terra como Papai Noel…”

*******************************************

Noite da véspera de Natal…

Um gargalhante e enlouquecido Papai Noel cruzava os céus em seu tradicional trenó puxado por renas.

Dessa vez, porém, ele atirava pequenas bombas biológicas, contendo uma versão magicamente alterada da Peste Bubônica, para que esta pudesse se espalhar meramente pelo ar, o que provocaria a maior epidemia que este mundo já vira.

FIM

Dedicado a Al Reiffer

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Tabu Divino Voltando a Postar: Dois Textos

5 Comentários Add your own

  • 1. Heitor Vasconcelos Serpa  |  janeiro 2, 2012 às 3:09 am

    Perfeito como sempre, minha amiga e mentora. Um dia ainda chegarei nesse nível. Só tive um pouco de dificuldade de entender o conto do papai noel, mas deu pra sacar sem demora qual era a ideia.

    Beijos!

    Responder
  • 2. Gian  |  janeiro 13, 2012 às 1:15 am

    Salve Rita,
    Bem legais os contos, parabéns!
    O conto ANQUEU E KETELYN parece uma versão moderna de Adão e Eva, o do Papai Noel por sua vez me soou como uma piada em relação ao maquieismo. Só cuidado ao trabalhar com deuses pois as vezes o conto pode soar como um plágio a mitologia.
    Beijos

    Responder
  • 3. Enio Myrddin  |  janeiro 18, 2012 às 10:27 pm

    Em quando lia “Anqueu e Ketelyn” também lembrei de Adão e Eva, como o Gian. Não que pareca uma cópia, mas sim uma boa história alternativa.

    Em “Pequenas Bombas Biológicas” só senti falta de uma descrição melhor da cena do Papai Noel. Mas isso não afeta a qualidade do conto.

    Parabéns, os contos estão ótimos!

    Responder
  • 4. Fábio Suguiyama  |  janeiro 19, 2012 às 4:08 am

    Conto muito bom, interessante e excitante.
    Sem comentários maiores, a Rita é uma excelente contista!

    Quanto a “Pequenas bombas biológicas”, pensei em colocar mitologia nórtica, anglo saxã, ao inves de greco romana, mas esta muito bem escrito, sáo faltando mesmo a participação de papai noel…

    Responder
  • 5. maruseru  |  janeiro 19, 2012 às 11:30 pm

    Muito lindo o texto
    adorei o blog^^
    bjos

    Responder

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