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Amórficas 03 de 05 – A Balada de Sir Lyon

Pessoal, esse é o terceiro conto da série Amórficas. Os leitores que se interessarem em pesquisar descobrirão que Sir Lyonell faz parte do ciclo de histórias arthurianos (aquele de Excalibur e da Távola Redonda), mas para este conto não utilizei o Lyonell arthuriano e sim fiz uma versão completamente diferente dele.

Boa leitura.

Beijos

Rita

A Balada de Sir Lyonell da Gália,
O Infeliz Cavaleiro

– I –

E estava moribundo
O cavaleiro Sir Lyonell

Nos momentos finais
Ele assim dolorosamente falou:

Havia uma bruxa
No topo daquela montanha

Ela era má
Como pecado e escuridão

Terrível seu coração
Como fome e desespero

De alma abominável
Feita de pedra antiga

Seu nome obsceno
Assombrava os mais bravos

Matou vários povos
E devorou outros mil

Notáveis heróis abateu
E reinos gloriosos arruinou

Belas nobres princesas
Estátuas ela as tornou

Justos amados reis
Em sapos os transformou

Famosos louvados sábios
Em feras os mudou

– II –

Havia uma bruxa
No topo daquela montanha

Pelo povo suplicado
Do oriente eu retorno

Coração pesado infeliz
No castelo dela penetrei

Mágica maldita espada
Eu carregava nas mãos

Lembranças tão dolorosas
Feriam-me alma e coração

Ao vê-la gritei
Seu abençoado nome original

Ela grunhiu
Com surpresa e insatisfação

De sua boca
Um dedo semidevorado caiu

E com lágrimas
Reconheceu-me e assim disse:

“Vá embora daqui
Pelo passado te pouparei”

Duramente eu recuso
e com temor avanço

Esperava heroica batalha
Por confronto selvagem aguardei

Ela imóvel ficou
Imediatamente cabeça lhe cortei

Arranquei-lhe o coração
Cabeça e corpo queimei

Na água insensível
Eu joguei-lhe as cinzas

Desci para vila
Para glorificado eu ser

Ao chão caí
E pela noite chorei

– III –

Pela noite lembrei
Um passado tão maldito

Eu a conheci
Quando não-bruxa ela era

Eu a amava
quando humana ela foi

Formosa bondosa princesa
Coração como luzes celestes

Amada por todos
Cobiçada por incontáveis reis

Porém era eu
Somente eu ela amava

Mas batalha feriu-me
Ferida horrível e incurável

A morte viria
Eu agonizava em desespero

Ela tanto chorava
Contudo nenhum momento hesitou

A tudo recorreu
Tudo que conhecia buscou

A magia acolheu-lhe
Com magia me salvou

A mágica transfigurou-lhe
Monstro ela se tornou

Monstro odiado temido
Demônio de maldade infinita

Incapaz de ajudá-la
Culpado envergonhado eu fugi

Remorso me toma
A consciência me devora

Trêmulo ergo espada
Transpasso meu coração traidor

Que eu pereça
Aqui neste sombrio momento

Guardo o segredo
Ao túmulo levo-o comigo

Ninguém nunca saberá
Dessa forma deve ser

No futuro dirão
Cruelmente apenas irão dizer:

Havia uma bruxa
no topo daquela montanha…

dezembro 27, 2010 at 2:53 am 36 comentários


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