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Os Mereges – Parte V de V – Conclusão

Do Bestiário de Miguel de Amarante
Páginas 124-128


Os Mereges, Criaturas de Muitas Cores

Por Rita Maria Felix da Silva

“Em minha juventude, por tantas Terras, universos e mundos, eu viajei e variedades tão diferentes dessas criaturas pude encontrar…” (Petrus Elacianus, o Erudito)

Introdução: De acordo com as versões mais aceitas sobre este assunto, formou-se entre os eruditos a crença de que todos os mereges vieram de um mesmo mundo, embora ninguém saiba dizer-lhe o nome ou a localização. De lá, espalharam-se pelo multiverso e a espécie se dividiu em pelo menos cinco outras diferentes.

II – Mereges Pretos

Mereges pretos são pessoas e resta apenas doze deles. Mas, no passado, não era assim..

Houve um tempo em que sua quantidade podia ser contada em dezenas e seus corpos — feitos de uma substância orgânica negra — eram cubos tão altos quanto montanhas.

Conforme sabemos de um pergaminho (cuja autoria é também atribuída a Petrus Elacianus), em algum ponto de sua evolução eles desenvolveram os talentos da telepatia e telecinésia em níveis apenas sonhado por outras espécies. Usando uma variação desse dom, eram capazes de dobrar o próprio espaço e cruzarem vastas distâncias estelares quase instantaneamente.

Naquela época, os mereges pretos amavam três coisas acima de tudo:

– desde que se consideravam imortais, abandonaram a reprodução, e cada um amava apenas a si mesmo;.

– amavam também serem adorados. Era muito prazeroso ao ego daquelas criaturas cúbicas serem vistas como deuses;

– por terem viajado por todo o cosmo e conhecido tudo que pensavam existir, amavam o universo de uma forma mais intensa do que o sentimento que une os amantes de outras raças.

Contudo, sem que soubessem, existiam outros povos no universo, que se consideravam mais evoluídos, melhores e mais dignos de serem adorados do que eles. Esses povos moveram-se em guerra contra os mereges pretos. Ao fim do conflito, apenas doze desses mereges, todos moribundos, restavam.

De acordo com o dito pergaminho, o que seus inimigos decidiram fazer a seguir foi, de todo modo, cruel, tão poética quanto metafisicamente:

O espírito de cada um dos dozes mereges pretos sobreviventes foi, por meio de encantamentos terríveis, arrancados de seus corpos e involuídos, para depois serem jogados no planeta Terra (ou melhor, um dos inúmeros planetas Terra existentes no multiverso) onde renasceram em corpos humanos, sem memória do que realmente já foram.

Esses doze, quatro homens e oito mulheres, prosseguem vivendo vidas tristes e depressivas. Jamais são felizes e nunca conseguem progredir. Limitam-se a viver e, quando seus corpos morrem, o espírito continua preso àquele mundo e renasce em um novo corpo humano. Num ciclo que talvez seja eterno.

Todavia, algo de seu glorioso passado persistiu neles e, frequentemente, sonham com o que foram e perderam. Ao acordar, a memória do mundo onírico se vai e eles começam a chorar sem saber por quê.

Conclusão: embora haja menções à existência de mereges verdes e mereges marrons, os mesmos não foram abordados nos textos de Petrus Elacianus, em que este artigo se baseou. Àqueles interessados no assunto, recomendamos os trabalhos de seu discípulo Diogo Decandeus.

FIM

Dedicado a Diogo

novembro 16, 2010 at 1:52 am 1 comentário


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