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Os Mereges – Parte IV de V – Os Mereges Azuis

Do Bestiário de Miguel de Amarante
Páginas 124-128


Os Mereges, Criaturas de Muitas Cores

Por Rita Maria Felix da Silva

“Em minha juventude, por tantas Terras, universos e mundos, eu viajei e variedades tão diferentes dessas criaturas pude encontrar…” (Petrus Elacianus, o Erudito)

Introdução: De acordo com as versões mais aceitas sobre este assunto, formou-se entre os eruditos a crença de que todos os mereges vieram de um mesmo mundo, embora ninguém saiba dizer-lhe o nome ou a localização. De lá, espalharam-se pelo multiverso e a espécie se dividiu em pelo menos cinco outras diferentes.

II – Mereges Azuis

Mesmo comparados a seus irmãos de outras cores, os mereges azuis são um caso bem curioso.

Embora sua aparência na infância seja desconhecida, sabe-se que, quando adultos, machos e fêmeas têm a forma de um cone translúcido e azulado (com altura que não excede metade do tamanho de um humano adulto), semelhantes a seus irmãos amarelos também são capazes de flutuar pelo céu (igualmente pelo uso de telecinésia), contudo em velocidade maior do que a daqueles.

Na espécie dos mereges azuis, ambos os gêneros emitem sons de alta frequência distintos para se comunicarem e também distinguirem os sexos nos contatos sociais e na hora do acasalamento.

No começo de sua idade adulta, um merege azul procura por seu companheiro ou companheira, desde que acreditam na existência de alguém de sua espécie que irá amá-los e completá-los. Enquanto não localizar essa contraparte, não se envolverá com ninguém mais, irá sofrer de grande tristeza e fases breves de profunda depressão, nas quais, e Petrus Elacianus nos mostra registros disso, alguns até mesmo podem cometer suicídio. De fato, se até o fim de sua vida, não encontrar quem irá completá-lo, sua tristeza, vergonha e sensação de fracasso se tornarão tão insuportáveisque cometer suicídio se torna a escolha mais aceitável.

Mas quando um merege azul encontra a quem estava destinado, reconhece-o (a) de imediato, ambos se apaixonam e vivem um breve idílio, ao fim do qual a fêmea dá a luz a três bebês e torna-se irreversivelmente estéril. Como é costume entre aquele povo, os recém-nascidos são entregues a um dos orfanatos no mundo daquela espécie, onde serão cuidados e educados até a idade adulta. Jamais serão vistos pelos pais novamente.

Então, algo notável acontece: o amor que unia aquele casal é transformado definitivamente num ódio irracional e assassino de um contra o outro, associado a uma inquietação e infelicidade tão imensas que se o merege não destruir aquele/aquela que antes amava jamais encontrará a paz novamente.

Assim, ambos se perseguem. Em certas ocasiões, essas caçadas podem durar muito tempo, até o instante final em que duelam usando sua capacidade de emitir sons de alta frequência, e um deles termina em pedaços.

Então, o merege azul (macho ou fêmea) vencedor é tomado por uma satisfação e serenidade — que não podem ser entendidas por indivíduos de outra espécie — e vai dedicar o que resta de seu tempo de vida a uma existência de contemplação e orações, adotando uma postura de castidade e engajando-se nos quadros da ordem religiosa monoteísta que domina o mundo deles. É também comum, que essa ordem designe-o (a) para o trabalho de cuidar dos orfanatos já referidos.

Dedicado a Diogo

Conclui a seguir: Os Mereges Pretos

novembro 7, 2010 at 1:39 am 1 comentário


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