Khen-Zur

janeiro 3, 2010 at 7:42 pm 8 comentários

Pessoal,

Um conto mais longo meu. Apesar da extensão vocês podem gostar dele. Eu adorei escrevê-lo.
Beijos
Rita

KHEN – ZUR
Por Rita Maria Felix da Silva

Prólogo

Conta-se que, nos dias antigos, Mareish-Loh, o Espírito do Primeiro Inverno, e Teramyn-Mu, o Espírito das Primeiras Luzes da Manhã, vagavam juntos pelo mundo, observando os humanos e suas histórias, em busca de uma resposta que apenas os deuses podiam imaginar qual era…

– I –

Ela foi até ele após a batalha. Num recanto do acampamento, sentado numa pedra, o soldado cuidava dos ferimentos.
— Khen-Zur. — disse a jovem.
O guerreiro virou-se para ela. Certamente já havia percebido sua presença. Dizia-se que nada escapava aos sentidos dele.
— Chensan-Myr. Pensei que estivesse com Shon-Yu. Ele parece gostar de você.
—Prefiro estar contigo. — ela respondeu, de modo acanhado, como se esperasse uma censura. — Me contaram que você não pode morrer… Então, por que cuidar dos ferimentos?
— É verdade que não posso partir, — as palavras de Khen-Zur soavam com tristeza quase indefinível — não até que conclua minha missão. Mas se não tratasse das feridas, poderiam piorar e me impedir de continuar lutando.
— Há mais na vida do que batalhas e memórias dolorosas… — a frase vinha da alma de Chensan-Myr, mais do que de sua boca.
Khen-Zur nada disse. Ela chegou mais perto. Curvou-se até ficar ajoelhada diante dele.
— Esses cortes parecem terríveis. Posso cuidar disso? — indagou.
O guerreiro olhou para a moça, uma expressão de piedade na face.
— Pode.
Chensan-Myr lavou e enxugou os ferimentos e depois os cobriu com um bálsamo esverdeado e ataduras limpas.
— Pronto. — explicou.
— Ficou muito bom. Obrigado. Você é uma excelente curandeira.
A jovem olhou para Khen-Zur. Ele era tão belo e as feições poderosas e acolhedoras, mas o rosto triste demais, como se demônios devorassem qualquer alegria que ousasse surgir naquela alma. Chensan-Myr ansiava pelo toque daquele homem, por aqueles braços envolvendo-a, pelos beijos que jamais vieram, por palavras amorosas…
— Chensan-Myr, — a voz dele arrastou-a de volta à realidade — o modo como cuida de mim… A forma que me olha… Nós já conversamos sobre isso antes…
— Eu gosto de cuidar de você… De estar contigo… Não há outra companhia que queira nesta vida.
O guerreiro, que já havia enfrentado uma infinidade de inimigos e desafios, em inumeráveis campos de batalha, hesitou por um momento, talvez procurando as melhores palavras a serem ditas.
— Não apenas Shon-Yu, que agradece aos deuses cada instante em que fala com ele, mas diversos outros homens imploram por você. Chensan-Myr, você é bela. Poderia ter qualquer homem que desejasse. Poderia até mesmo ser a esposa de um rei.
Ela cruzou os braços em silêncio. Olhou para ele fixamente, depois fechou os olhos e reprimiu uma lágrima.
— O único homem que quero está diante de mim.
Khen-Zur lembrou de quando descobriu sobre os sentimentos de Chensan-Myr. Não foi simples naquela época e não seria agora.
— Não desejo machucá-la. Os deuses sabem que eu gostaria de ser capaz de amar você, mas, conhece o meu passado. Não é outra lenda de nosso povo.
— Eu gostaria que fosse. — havia dor demais naquela frase e Khen-Zur imaginou que, em algum lugar, espíritos curvavam-se em lágrimas por aquela moça.
— Juro pelos meus pais e por todos meus ancestrais que agradeceria se fosse diferente. Porém, você sabe que não é possível. Conhece a história com detalhes. O Destino que escolhi é irreversível.
— Sei. As garras de Asfridi em sua alma. — Mais que sarcasmo, a frase, maculada de amargura, escapou da boca de Chensan-Myr.
— Se a tivesse conhecido, — ele explicou — não falaria dela desse modo. Você anseia por vida e felicidade. Mas essas dádivas estão além do que posso fazer. Siga em frente. Procure um outro homem, alguém que possa amá-la.
O olhar de Chensan-Myr era de uma desolação semelhante à do rosto dos condenados quando caminham para a execução.
— Você diz que peço o impossível. Pede-me o impossível também.
— Chensan-Myr…
Ele a segurou pelos ombros.Olhou com atenção no rosto dela. Era como se Khen-Zur procurasse palavras e sentimentos que já esquecera… Porém, foi apenas por um instante. Logo, baixou o olhar. Apenas piedade foi o que encontrou para ela. O guerreiro amaldiçoou-se por não poder mais chorar.
Chensan-Myr desvencilhou-se das mãos dele. Levantou-se e correu dali em silêncio. Lágrimas fugiam de seus olhos.
Khen-Zur não tentou segui-la. Sentia-se incapaz de dizer algo que pudesse consolá-la.
Chensan-Myr percorreu o caminho para fora do acampamento e ignorou aqueles que a olhavam ou chamavam seu nome. Em sua mente, fervilhava a advertência da velha Yon-Lah, pronunciada quando a jovem conhecera o guerreiro Khen-Zur:
“Não perca tempo com ele. Esse homem não tem coração”.

– II –

(Mareish-Loh) – O que me diz Teramyn?
(Teramyn-Mu) – Uma cena estranha e tão triste. Pobre moça!
(Mareish-Loh) — Sim, poucas vezes no mundo dos mortais houve alguém mais infeliz.
(Teramyn-Mu) — É um pouco confuso… Que horrores esconde o passado desse guerreiro para que rejeite uma dádiva de amor pela qual tantos suplicariam?
(Mareish-Loh) — Horror? Não, amor e tormento. Uma história pretérita, porém sempre presente, bela e triste, como poucas coisas conseguem ser entre os humanos.
(Teramyn-Mu) — Perdoe-me. Acho que não entendo: o que houve com ele?
(Mareish-Loh) — Previsível, porém, perdoável. Você é um espírito jovem, Teramyn. Afinal, não muito tempo se passou desde que outro governava as primeiras luzes da manhã. Há tanto que ainda não viu e nem sabe.
(Teramyn-Mu) — E o propósito desta interminável viagem em sua companhia não é o aprendizado, tanto para mim quanto para você? Permita-me, então, partilhar do seu conhecimento.
(Mareish-Loh) — Palavras sábias, Arauto da Manhã! A tragédia de Khen-Zur é apenas um fragmento na história da humanidade, porém, um de meus favoritos. Como sabe, sou aparentado de Chenty-Barakzu. Aquele espírito desagradável é guardião do tempo e da memória. Certa vez, fiz para ele um grande favor (algo sobre o que espero ainda contar) e Chenty concedeu-me uma dádiva: visualizar qualquer momento do passado e, se assim eu desejar, mostrá-lo a outros também.
(Teramyn-Mu) — Uma queda pela exibição e um gosto inoportuno por discursos parecem ser suas fraquezas, Mareish.
(Mareish-Loh) — Ora, vai me entender melhor quando ficar mais velho. Agora, conforme Chenty-Barakzu me ensinou, com minhas mãos abro o espaço através das cortinas do tempo e mostro o que se sucedeu ao nobre e trágico guerreiro Khen-Zur.
(Teramyn-Mu) — Você está se tornando um velho falador, Mareish.

– III –

E, assim, pela magia ensinada por Chenty-Barakzu, Mareish-Lo, o Espírito do Inverno, rasgou as camadas que envolvem o tempo, para enxergar o passado, e foi desta forma que ele falou:
“Observe, Teramyn, este era Khen-Zur antes de conhecer Asfridi: não mais do que um homem ocupado apenas com guerras e uma busca vazia por glórias no campo de batalha, como ocorre a todos os guerreiros.
Quando encontrou Asfridi… Bem, deixe-me falar sobre ela. Já escutei muitas teorias sobre a origem dessa jovem: muitos pensaram que veio de uma daquelas terras a Oeste, onde o povo é presunçoso, apressado demais e confuso. Outros comentam que seria de uma linhagem de deuses e espíritos, não a nossa, mas de alguma outra que desconheço. Seja como for, jamais encontrei quem realmente soubesse a verdade sobre ela.
Você admirou-se com a beleza de Chensan-Myr, porém, olhe para Asfridi. Consegue imaginar quantos poetas derramaram lágrimas e versos por ela? Nada poderia defini-la melhor do que… Simplesmente perfeita.
Asfridi e Khen-Zur se amaram e diante desse amor os astros observavam admirados e deuses e espíritos contemplavam à distância invejosos do que viam. Nunca houve no mundo dos mortais alguém mais feliz que Khen-Zur. Isso é importante, Teramyn: a felicidade é algo muito mal definido no reino dos humanos. Eles a perseguem por toda uma vida e, muitas vezes, perdem-se numa ilusão ou num mero vislumbre dela. Khen-Zur provou da felicidade verdadeira com Asfridi, mas, então…
Esse é um ponto que realmente me incomoda. Uma vez encontrei um homem do futuro distante (cujo espírito, num sonho veio até mim), um ocidental, como talvez o fosse Asfridi. Tinha um coração com mente própria, capaz de conversar com ele e aconselhá-lo. Era um contador de histórias e viajava pelo mundo de sua própria época, tentando entender o mal no coração dos homens. Ri daquela presunção e aconselhei-o a procurar uma vida mais simples, pois a resposta que buscava é inalcançável para mortais. Sempre lembro disto, quando penso no que aconteceu a Khen-Zur e Asfridi. É quando lamento não ter um corpo humano para me ajoelhar e chorar.
Foi como todo final de esperança: começou com a presunção de que nada de mal ocorreria. Khen-Zur partira para o que deveria ter sido sua última batalha. Ele se apegava a pequenos sonhos: ele e Asfridi, uma casa e filhos. Sem guerras, em paz e felizes, para sempre. E recebeu uma lição amarga de quão breve pode ser a eternidade.
Há um povo, os Azamitas, inimigos desde muitas gerações da tribo de Khen-Zur, que havia despachado tantos deles para um dos infernos. Para vingarem-se daquele guerreiro, eles raptaram Asfridi e, por três dias, aproveitaram-se de seu corpo, das formas mais obscenas que se possa imaginar, e torturaram-na tão cruelmente quanto a criatividade humana permitiu. Bem antes do fim, ela já havia implorado pela Morte. Em algum momento, aquela deusa piedosa escutou-a.
Os Azamitas estavam horrorizados, envergonhados do que haviam feito e duvido que pudessem compreender de que maravilha haviam privado este mundo. Então, ao perceberem que tinham chegado longe demais e sacrificado sua humanidade no meio do caminho, perceberam-se incapazes de parar. Eles cortaram o cadáver de Asfridi em tantos pedaços quanto conseguiram, puseram-no num saco de couro e enviaram-no, por meio de um escravo, a Khen-Zur, que assassinou o mensageiro tão logo viu do que se tratava aquela funesta entrega, e gritou em desespero para todos os céus, deuses, espíritos e infernos que puderam escutá-lo. Jamais vi tormento como aquele.
Ele jurou vingança contra os Azamitas, prometeu que exterminaria cada um deles e tem sido assim desde então: um símbolo da felicidade para sempre perdida, uma alma presa ao campo de batalha, tendo apenas sangue e mortes e a companhia de memórias felizes que agora se tornaram dolorosas demais.

(Teramyn-Mu) — Uma história muito triste, Mareish.
(Mareish-Loh) — Sim, como poucas poderiam ser.
(Teramyn-Mu) — Mas está incompleta, não é? Falta algo para explicar o estado atual de Khen-Zur e sua recusa por Chensan-Myr.
(Mareish-Loh) — De fato, há mais a ser contado: aquele dia terrível em que Khen-Zur enterrou Asfridi…

– IV –
“Escuta, Teramyn. Foi num dia de inverno”.– continuou Mareish-Loh – “a mesma estação que me serve de domínio e reino. Naquele ano, os deuses estavam particularmente desgostosos com os mortais e, por isso, ordenaram-me que despejasse sobre esta terra mais nevasca, frio e brancura do que normalmente eu faria. Em respeito às leis do Antigo Pacto, obedeci.
Porém, meu trabalho não deteve Khen-Zur. Levando consigo o que restara de Asfridi, ele vagou de sua aldeia até a planície de Yon-Ateshan. Lá, aos pés de uma árvore mais velha que qualquer pessoa viva naquela época, cavou um túmulo na neve e enterrou sua amada. Depois, fez as preces aos ancestrais e oferendas aos deuses pela alma daquela moça e curvou-se ao chão e chorou.
Quem o visse daquela forma não poderia acreditar que ali estava Khen-Zur, guerreiro famoso em todo o Leste… As lágrimas se congelavam em seu rosto e o coração estava mais frio do que a neve que enviei sobre aquela terra. A imagem daquela alma desolada pela dor e tragédia me comoveu. Mandei minha mais delicada brisa para consolá-lo, mas era uma brisa do inverno e jamais qualquer coisa da estação que governo pôde consolar um único coração mortal.
Khen-Zur ficou em silêncio por algum tempo, até que falou estas palavras:
‘Eu falhei com você, querida. Chamam-me de grande guerreiro, cantam meus feitos, os poetas enaltecem quão poderoso posso ser quando manejo uma espada… Porém, de que tudo isso adiantou? Quando vieram e te levaram e fizeram isso a você…
Meu coração tornou-se sombrio e louco, os dias felizes que vivi a teu lado naufragam no meio de toda esta dor. Por mim mesmo, eu me sacrificaria aqui, diante de teu túmulo, mas então minha alma seria punida pelos deuses e levada para um dos Infernos, contudo, você não está em nenhum deles e seríamos separados para sempre…
Asfridi, eu amo você, de uma forma e com tal intensidade que não julguei possível para um humano e menos ainda para mim. Fui um homem de guerras, de matanças, o amor era uma palavra sussurrada por sonhadores e poetas, uma lenda que sempre pensei estivesse muito longe de mim. Todavia, você surgiu e me permitiu conhecer o amor e a felicidade. Eu faria qualquer coisa para tê-la de volta, mas sei que, pelas regras do Antigo Pacto, os mortos são apenas mortos e nada pode trazê-los de volta.
Então, eu darei a você vingança. Como prometi, quando descobri este horror que ti fizeram, matarei cada azamita deste mundo e só irei descansar quando em minhas mãos estiver o sangue do último deles.
No entanto, a vida é injusta e trapaceira e a morte poderia levar-me antes que pudesse cumprir meu juramento. Por isso, elaborei um plano. É algo terrível, blasfemo e os deuses podem querer punir-me por isso, mas o que de pior pode ser feito a mim agora? Eu pretendo enganar a morte, adiar minha partida deste mundo, até que tenha extinguido o último azamita. A velha Yon-Lah me contou que a três dias de viagem deste lugar, refugiando-se numa montanha cheia de histórias malignas, encontra-se um mago terrível. Chamam-no de Ywan-Khan. Os deuses não gostam dele. Demônios e espíritos o evitam. Não me importa. Yon-Lah disse-me que ele tem os meios para o que quero: vai arrancar do peito meu coração e ofertá-lo às divindades, um sacrifício que talvez ajude a abrandar a ira deles contra aquele feiticeiro. Uma nova vida, mágica, horrível e contrária à natureza manterá meu corpo, enquanto meu coração será guardado pelos deuses em algum lugar do Paraíso. Nada poderá me matar, não importa o quanto me firam, até que tenha concluído minha missão e os deuses possam me levar… Talvez para perto de ti…
Eu juro mais, amada Asfridi: sei que ao abdicar de meu coração serei alguém vazio entre os homens: pouco sentimento terei em mim e, exceto pelas memórias que tenho de ti e o ódio pelo que te aconteceu, nunca mais amarei novamente e meu corpo jamais tocará outra mulher. É uma promessa de amor que faço a você.
Agora descansa, querida. Aguarda-me no Paraíso, onde certamente você está, e espero em algum futuro estar contigo. Porém, pelo que vou fazer, é mais provável que um dos Infernos seja o meu resultado final. Não importa: meus atos são por ti. Minha vida será algo miserável, porém miserável ela tem sido desde que você se foi. Por ti, para vingar tua morte, eu aceito este fardo.’
E Khen-Zur levantou-se dali e rumou para a montanha onde encontraria o mago Ywan-Khan…”
(Teramyn-Mu) — Eu compreendo agora… Lamento que algo assim tenha ocorrido no mundo dos mortais.
(Mareish-Loh) — Verdade. Tenho observado Khen-Zur desde aquele dia.
(Teramyn-Mu) — Mareish, não é possível… Você está chorando?
(Mareish-Loh) — Não, isto está além do que nós, espíritos, podemos fazer. É apenas como fazem os atores humanos: simulam, interpretam um papel… Mas o meu desejo de poder chorar por Khen-Zur e Asfridi isto é mais real do que eu mesmo…

– Interlúndio –
Era o começo da madrugada, quando a velha Yon-Lah recolheu-se a sua tenda, num canto afastado da aldeia. Dormia pouco, necessitava cada vez menos disso e, não fosse pela habilidade de sonhar, há muito teria optado por manter-se desperta o tempo todo.
Já deveria estar morta, como todos de sua geração, porém, aqueles eram os dias antigos, quando a magia operava milagres. Ainda em sua juventude, Yon-Lah prestou um grande serviço aos deuses e pediu como recompensa a longevidade. Alguns deles enfureceram-se, a Morte indignou-se pela ousadia, contudo os deuses são as criaturas mais estranhas e incompreensíveis de toda a Criação e no final concordaram.
Desde então acumulara grande conhecimento. Conhecimento, não poder — como lhe ensinou uma feiticeira das Montanhas Vahr-Wangir, que lhe serviu de mestra por tantos anos —, poder é a conseqüência, não o objetivo e persegui-lo apenas leva a loucura e ruína.
Dormiu um sono breve e profundo. Antes que a lua cedesse no céu lugar para o sol, Yon-Lah acordou. O sonho que acabara de ter pareceu-lhe estranho e curioso demais. Precisava revê-lo. De suas coisas (ingredientes para porções e encantos, amuletos, ferramentas e ervas curativas), retirou um pequeno saco de couro, dentro do qual estava um pó feito dos ossos triturados de um feiticeiro rival. Perfeito para visões. Um punhado daquilo ela jogou na fogueira que ocupava o centro da tenda. Pronunciou duas frases mágicas e esperou.
Breve as chamas mudaram de cor para um branco incomum e começaram a agitaram-se. No meio daquele fogo, imagens e sons se formaram:
“(Teramyn-Mu) — Não posso acreditar que não se importe, Mareish!
(Mareish-Loh) — Sabe que me importo, a questão é maior que esta. Estamos sob o efeito do Antigo Pacto e há proibições que precisam ser respeitadas.
(Teramyn-Mu) — Não apenas eu, mas outros espíritos jovens também questionam o valor desse pacto. Por que devemos continuar seguindo regras que se aplicam a um tempo passado, quando os mortais, por exemplo, já se afastaram bastante delas?
(Mareish-Loh) — E são punidos por isso. Embora eu tenha grande simpatia pelos humanos, não sou um deles. Nem você.
(Teramyn-Mu) — É verdade. Porém, veja o que me contou sobre Khen-Zur, Asfridi e Chensan-Myr. Como pode ter deixado tudo isso acontecer e por que permite que continue dessa forma?
(Mareish-Loh) — Não sou responsável pela tragédia de Khen-Zur e não ousaria intervir. Somos subordinados aos deuses, Teramyn, atados às regras do Antigo pacto, que define e limita nosso papel na criação. Ir além disso seria arriscar ruína para nós e talvez para tudo o mais.
(Teramyn-Mu) — Esse pacto é… Só uma desculpa para a covardia e orgulho dos deuses, é apenas por ele que se julgam no direito de tentarem reger as vidas humanas, de exigir-lhes adoração e servidão. Deles e de nós. O que realmente temem as divindades: que, livres do domínio celeste, nós e os humanos poderíamos alcançar o potencial que nos tem sido negado?
(Mareish-Loh) — Teramyn, não fale desta forma. Tal loucura e ousadia não podem passar desapercebidas pelos deuses. Os mais jovens deles podem ser tolerantes com espíritos como você, os anciões, porém, seriam inclementes…
(Teramyn-Mu) — Eu não me importo. Não tenho medo. Essa história de Khen-Zur tocou-me de um modo que não sei explicar. Incomoda-me saber tudo isso e nada fazer.
(Mareish-Loh) — E o que poderia ser feito? Asfridi está morta; Khen-Zur, por opção, desgraçou a própria vida e quanto a Chensan-Myr, nenhum de nós pode modificar um coração humano…
(Teramyn-Mu) — Há algo que pode ser feito. Tenho certeza que há. Eu…
(Mareish-Loh) — Sacrificaria minha imortalidade se houvesse uma forma de ajudá-los. Sei, porém, que não há. A idade nos traz sabedoria, na qual um dos componentes é aceitar a impossibilidade de realizarmos nossos desejos.
(Teramyn-Mu) — perdoe-me, pois não desejo insultá-lo, mas não quero ficar velho para me tornar alguém como você…
(Mareish-Loh) — Sinto que planeja algo. Acautele-se: há muita coragem em você e boa vontade, mas imprudência e descuido também. Não deixe que suas ações fujam ao controle, nem que nossa espécie acabe pagando por elas. Lembre-se: os deuses são caprichosos.
(Teramyn-Mu) — Sei que descobrirá o que pretendo fazer. Não há meios de esconder de você. Apenas peço, se tiver alguma amizade por mim, o tempo que os mortais chamam de dez dias. Deixe-me sozinho até lá e depois faça o que sua consciência lhe permitir.
(Mareish-Loh) — Eu… Farei como me pede, amigo. Apenas tome cuidado, não desejo que… Oh, ali, naquele canto, uma viajante dos sonhos, uma feiticeira humana que sonha e nos observa. Se não estivesse tão preocupado com você, já a teria notado. Não importa, que ela acorde. Breve, cuidarei desse assunto.”
Nesse instante, as imagens desapareceram e as chamas foram paralisadas, como se o próprio tempo houvesse sido congelado ao redor daquele fogo.
Yon-Lah preparou-se para o que poderia vir. Então uma voz fria, velha e poderosa preencheu cada espaço da tenda:
“Você cometeu uma pequena ousadia, Yon-Lah”.
— Saudações, — indagou ela cautelosamente — é com Mareish-Loh, o Senhor do Inverno, que falo?
“Sim. Esse é um de meus títulos. Feiticeira, não gosto de ser observado. Compreende que devo agir quanto a isso?”
— Sim, Mestre Mareish-Loh, mas nada fiz além do que minha natureza permitia. — defendeu-se Yon-Lah— Como bem disse, sou uma viajante dos sonhos. E o que vi de sua conversa não pode trazer qualquer mal.
“Desde Khen-Zur, tenho grande simpatia por sua espécie, mas o conhecimento que você obteve pode interferir com os planos do Teramyn. Discordo dele, todavia não permitirei que o atrapalhem”.
— O que seja os planos do jovem espírito, sinto problemas vindouros. Não seria melhor impedi-lo?
“Os problemas que vierem deveremos enfrentar no futuro. Agora preciso agir com você. Considere-se afortunada, pois outros espíritos, mas furiosos, poderiam recorrer à cegueira e mudez, morte, loucura ou outra ação desagradável. Eu, porém, tenho um fraco pelos humanos e darei a você apenas sono e esquecimento. Adeus, Yon-Lah. Durma bem”.
As chamas se apagaram. Yon-Lah desmaiou. Foi um sono profundo, escuro e sem sonhos.
Ela despertou com as primeiras luzes do sol. Embora se esforçasse, não conseguia lembrar se havia sonhado ou não, nem soube explicar para si mesma porque havia mexido no saco com pó para visões. Observou com atenção o que restara da fogueira. Nenhum resquício de calor, fumaça ou chamas. Flocos de neve cobriam a madeira. Ponderou sobre aquilo por um instante, mas logo resolveu ignorar o assunto: os atos de deuses e espíritos são, por muitas vezes incompreensíveis. A sabedoria da idade ensinou-lhe isso.
Saiu da tenda. Foi caçar uma lebre para sacrifício. Afinal, havia rituais a serem realizados pois o inverno já ameaçava se aproximar.

EPÍLOGO
Carta de Jacob Winterwood a Nora Winterwood, datada de 22 de setembro de 1975:

“Saudações, prima,

Como tem passado? Acabo de ler ‘Oito Minutos Debaixo D’Água’ e, confesso, agradou-me muito. Não sou inclinado à ficção, mas aquela mistura de drama, surrealismo e reflexão (filosófica) sobre o valor da vida na iminência da morte, realmente capturou minha atenção. Embora não seja crítico literário, arrisco-me a dizer que se trata de sua melhor obra. Parabenizo-a por manter a tradição literária de nossa família.
Todavia, e peço sua compreensão por isso, não foi para comentar sobre seu livro que escrevi. Tenho estado imensamente preocupado com certas peculiaridades de meu trabalho, que, agora me parecem bastantes sombrias. Devo me explicar melhor:
Nos últimos cinco anos, aceitei o financiamento de um investidor particular em meus trabalhos de arqueologia. A pessoa em questão é Lucius Whitehill. Sei que nossa família tem uma péssima imagem desse sobrenome, um fruto desagradável de todas as histórias negativas relacionadas ao mesmo e, levei isso em consideração, as poucas e infelizes vezes em que tivemos de tratar com eles. Todavia, Lucius pareceu-me alguém confiável e bem intencionado. Portanto, optei por ignorar toda propaganda pejorativa sobre os parentes dele e aceitei o dinheiro que me foi oferecido, o qual mostrou-se de inegável valor no custeio de minhas pesquisas.
Essencialmente, Lucius é um colecionador de antiguidades com ênfase no misticismo (talvez até mais fascinado pelo assunto do que nosso tio-avô Neil era). Trabalhando para ele, coletei e estudei os itens mais heterodoxos.
O problema é que, há dois meses, recebi certos documentos, de fonte anônima, sobre Lucius Whitehill. É de meu conhecimento que Lucius fez fortuna como um especulador financeiro, porém, eu não o condenaria por isso.Contudo, o que li convenceu-me de que meu patrocinador e amigo seria o que os americanos chamam de gangster ou, pelo menos, alguém envolvido em operações criminosas. Admito que, inicialmente, pareça ridículo, mas procurei averiguar aquelas informações e as constatações assustaram-me.
Além disso, descobri que se trata de um indivíduo cujas motivações resumem-se à ganância financeira e uma obsessão por adquirir mais poder, o que supõe poderia ser obtido através dos itens que coletei durante estes cinco anos.
Meu informante misterioso foi especialmente incisivo num aspecto: Lucius vem juntando certos artefatos arqueológicos específicos, os últimos dos quais encontrei recentemente. A ênfase, em tom de súplica, advertia que um ‘grande perigo pode advir para o mundo civilizado se esses derradeiros itens chegarem às mãos de seu empregador, Sr. Winterwood’.
Talvez você me julgue louco, mas tudo aquilo me afligiu de tal forma que julguei prudente desaparecer de vista e esconder os itens citados. Meus planos, porém, mostraram-se ingênuos quando fui alvejado no ombro, ontem, aqui, numa das ruas de Nova Delhi, pela pistola de um desconhecido. Foi o tiro de um sádico que, longe de desejar matar-me naquele momento, tencionava provar o quão simples é me atingir. Comprovando isso tenho me sentido seguido estes últimos dias, vigiado a todo o momento. Libertando minha imaginação, conjecturo que seja um ou mais capangas de Lucius.
Prima, escrevo para você apenas porque desejava conversar com alguém e lembrei-me do quanto éramos amigos durante a adolescência. Dias bons aqueles. Peço que não se arrisque, não comente nada disto com quem quer que seja e que elimine esta carta tão logo termine de lê-la. E, por favor, resista à tentação de transformar em uma de suas histórias o que conto aqui. Poderia chamar a atenção de Lucius, o que, realmente, não quero para você.
Desejo-lhe tudo de bom nesta vida e todo o sucesso literário possível.
Cordialmente,
Jacob.
P.S. Pena que não posso mostrar a você os últimos itens que coletei. Um deles, cuja tradução já concluí, é um conjunto de pergaminhos relatando a história de Khen-Zur e Asfridi, justamente aquela versão em que aparecem os espíritos Teramyn-Mu e Mareish-Loh. Uma história trágica, porém adorável. Você gostaria de lê-la.”

Carta de Morgan H. Pierce a Lucius Whitehill, em 23 de setembro de 1975:

“Mr. Whitehill,
Se leu os jornais londrinos de hoje, particularmente o prestigioso The Newsteller, já deve saber do infeliz destino daquele seu amigo,o arqueólogo. Asseguro-lhe que procedi com todo o cuidado de modo que, duvido, qualquer autoridade policial possa inferir seu envolvimento neste assunto.
Um sujeito irritante era esse Jacob Winterwood, com ares de atrevimento. Acredita que tentou apontar-me uma arma? Tão logo cuidei daquela imprudente iniciativa, tratei de ser persuasivo de modo a obrigá-lo confessar a localização dos itens que havia escondido. Tendo-os já encontrado, remeto-os ao senhor pelos meios convencionais.
De mesmo modo, interceptei a carta que havia sido enviada pelo falecido Jacob à prima dele, Nora. Sim, senhor, justamente aquela, a escritora do livro que coloco na minha lista de favoritos deste ano. Ela jamais saberá do que aconteceu e prefiro deste modo, pois caso contrário, eu teria que também cuidar dela, algo que, dada a afeição que tenho por este “Oito Minutos Debaixo D’água”, provocaria grande tristeza em mim.
Estarei de volta a Londres brevemente e pronto para a próxima tarefa que for designada para mim.
Cordialmente,
Morgan.”

Notícia extraída do Jornal The Newsteller, edição de 23 de setembro de 1975:
“ARQUEÓLOGO SUICIDA-SE
Foi encontrado ontem, num quarto de hotel em Nova Delhi, o corpo do arqueólogo Jacob Winterwood. As investigações preliminares e a carta, de próprio punho encontrada próxima ao cadáver, apontam para suicídio.
O inspetor Archibald Millton, responsável pelo caso, declarou que não pesam dúvidas sobre o ocorrido, “trata-se claramente de um infeliz caso de suicídio”, asseverou.
Arqueólogos britânicos contatados por este jornal e a família do falecido disseram-se chocados e lamentam a perda de um profissional brilhante, parente e amigo muito estimado por todos.
Dada a importância e reconhecimento da família Winterwood no Reino, o que remonta à época do quase mítico Sir James Winterwood, a própria rainha emitiu nota de pesar e confirmou seu comparecimento ao funeral.”

Sexto Pergaminho contendo trechos da história de Khen-Zur e Asfridi, conforme tradução de Jacob Winterwood (manuscrito original pertencente à coleção particular do financista e ocultista Lucius Whitehill):

“Dez dias se passaram, durante os quais, Mareish-Loh, o Espírito do Inverno, cuidou de seus próprios assuntos e aventuras das mais curiosas ocorreram a ele.
Concluído o prazo, retornou a onde esperava reencontrar o amigo.
‘Teramyn’, chamou, porém nada respondeu.
‘Teramyn’, insistiu e algo começava a incomodá-lo. Onde poderia estar aquele jovem?
Assim, a preocupação começou a aumentar nele. O Teramyn parecia muito interessado na história de Khen-Zur, comovido demais para seu próprio bem… Talvez houvesse feito algo imprudente… Talvez, até…
‘Não!’, Mareish-Loh recriminou a si mesmo por deixar-se levar pela imaginação. Era inconcebível. Nem mesmo o Teramyn ousaria tanto.
Porém, implorando aos deuses que estivesse errado, ele libertou os sentidos e entrou em contato com sua espécie. Indagou de cada um deles, todos os espíritos que jamais foram humanos, vinculados a aspectos da natureza e subordinados às divindades:
‘Você viu Teramyn-Mu, o governante das primeiras luzes da manhã?’
‘Não.’, foi o que cada um disse.
Cento e seis entidades foram questionadas. Mareish-Loh assustou-se. Cento e seis, sendo ele próprio o centésimo sétimo. Faltava um espírito no mundo.
Apreensivo, permitiu que sua consciência vagasse pelas terras dos mortais. E então, veio um cheiro, diferente de qualquer outra coisa.
‘Teramyn’, disse Mareish-Loh, ‘por que fez isso? É errado! Uma das mais graves violações do Antigo Pacto… Os deuses irão puni-lo. Eles exigirão que eu e os outros espíritos destruamos você…’
Em seguida, Mareish-Loh ficou em silêncio, amaldiçoando a ousadia de seu amigo, porém admirando-lhe a coragem por fazer o que ele mesmo jamais se atreveria.
‘Eu desejo boa sorte, Teramyn’, disse com toda a convicção que pôde, “se isso for possível. Que os deuses exijam como desejarem, como lhes compete. Cento e seis entidades obedecerão ao chamado celestial, cento e seis de nossa espécie, mas não eu. Boa sorte, amigo, e tente ser feliz pelo tempo que resta de sua nova vida”.
E assim, Mareish-Loh partiu e retomou sua missão original. No caminho, porém, recitava uma prece pelo Teramyn.”

“Era manhã. As primeiras luzes já ocupavam o céu e Chensan-Myr levantou-se inquieta. Afligia-lhe uma sensação, como se pudesse saber que algo estava errado com o mundo. Não conseguindo imaginar o que era, decidiu cuidar de seus afazeres. Khen-Zur estava distante do acampamento, mais uma vez ocupado com outra batalha. Sentia falta dele. Desejava que voltasse logo.
A sensação de estranheza aumentou. Chensan-Myr decidiu interromper o que fazia e ir procurar Yon-Lah. Talvez a sábia pudesse lhe explicar o que poderia ter acontecido.
No caminho até a tenda da sacerdotisa, passou por um jovem estranho, o qual observava o céu, as luzes da aurora, com atenção.
‘Sim, sei que discordam.’, disse o homem, ‘Não vamos discutir isso. Cuidem-se. Sentirei falta de vocês’.
‘Com quem ele está falando?’, pensou Chensan-Myr, ‘Com o alvorecer? Talvez seja algum louco.’, e riu apenas para si mesma.
‘Chensan-Myr!’, gritou o estranho.
Ela voltou-se para ele. Sentiu um leve tremor ao escutar aquela voz.
‘Quem é você, estranho? Nunca o vi neste acampamento’
‘Imagino que não’, respondeu ele, ‘Vendo você agora, desta forma, percebo que é ainda mais bonita do que julguei. Eu também te agrado, não é? Esforcei-me para que este corpo fosse atraente a seus olhos.’
Sim, ele era bonito, talvez mais do que a maioria dos homens, porém, a imagem de Khen-Zur era tudo que interessava a ela.
‘Você fala coisas estranhas. E ainda não me disse seu nome…’, comentou Chensan-Myr.
‘Oh,’, respondeu ele com um sorriso, ‘Eu sou Teramyn’.
Chensan-Myr assustou-se:
‘É o nome de um dos cento e oito espíritos. Isso é blasfêmia! Os deuses devem ter punido seus pais por terem colocado esse nome em você. Vão puni-lo por usá-lo. O próprio Teramyn-Mu vai…’
‘Não tenho muita simpatia pelos deuses,’ ele interrompeu, ‘e, acredite, conheço o bastante de Teramyn-Mu para saber que não se importa se uso o nome dele. Mas não quero falar de espíritos e divindades. É você que me interessa. Conheço sua história. A tragédia de Khen-Zur e Asfridi e sua paixão por ele. Vim ajudá-la’.
A forma como esse Teramyn olhava para ela, de certo modo era semelhante ao que faziam os outros homens, porém havia algo diferente nele, algo que a incomodava. A sensação de estranheza gritava no coração de Chensan-Myr.
‘Minha história é conhecida por todos,’ disse ela, ‘Estou além de sua ajuda, Teramyn’.
O Teramyn começou a aproximar-se dela enquanto falava:
‘Não diga isso. Arrisquei-me e sacrifiquei muito para chegar aqui. Você não precisa continuar sofrendo. Não merece isso. Pretendo derrotar o quase invencível Khen-Zur no mais improvável dos campos de batalha: teu coração, Chensan-Myr. Não me tema, não me evite, porque desejo conquistá-la. Pretendo ser o homem que você vai amar.’
O olhar do Teramyn estava fixo nos olhos dela. Os rostos de ambos estavam próximos demais. Chensan-Myr ia dizer algo, iria afastar-se (ele era belo e encantador, mas, na alma daquela moça Khen-Zur era soberano), quando o Teramyn segurou-a pelos ombros e tomou-lhe um beijo.

FIM
Dedicado a Matungo, Garret e Annia.

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“M” – Um Pentalogia – Parte I de V – “Marina” Caixa de Tesouro

8 Comentários Add your own

  • 1. Angela Oiticica  |  janeiro 4, 2010 às 1:03 am

    Thanks for sharing. Uma estória muito terna.

    Responder
    • 2. Rita Maria Felix da Silva  |  janeiro 5, 2010 às 2:49 am

      Thankyou Angela
      Kisses
      Rita

      Responder
  • 3. Davi B. Maximiano  |  janeiro 4, 2010 às 3:51 pm

    Humm… Gostei! Uma coisa que é interessante em textos com nomes orientais é como a sonoridade com o português dá um certo ar de estranheza…. Interessante…

    Responder
    • 4. Rita Maria Felix da Silva  |  janeiro 5, 2010 às 2:45 am

      Obrigada
      Davi
      Beijos
      Rita

      Responder
  • 5. Fernando Sehvenn  |  janeiro 4, 2010 às 5:12 pm

    É sempre bom termos a variedade brilhante e original de uma mente poderosa como a da escritora em questão, pois, se não a tivessemos, como poderiamos desfrutar de quão magnífico conto como este? A verdade: Não poderiamos. É Rita Maria Felix da Silva, uma (do meu ponto de vista) grande escritora entre nós (também escritores brasileiros de literatura fantástica) e, muito capaz de até arrancar-nos lágrimas, com seus majestosos contos, como este Khen-Zur, fruto de um digno trabalho literário, onde, e somente, quem, consegue observar a fundo, pode enxergar e até sentir (no âmago do coração) a energia positiva que um inteligente conto escrito por uma grande e promissora escritora, pode nos dadivar.

    Responder
    • 6. Rita Maria Felix da Silva  |  janeiro 5, 2010 às 2:46 am

      Fernando,
      Depois de palavras tão maravilhosas, tudo que posso dizer é obrigada.
      Beijos
      Rita

      Responder
  • 7. Carlos Donizetti  |  janeiro 4, 2010 às 8:19 pm

    É um ótimo conto Rita…Me tire uma dúvida,qual o significado deste nome Mareish-Loh ?

    Bjs
    Carlos

    Responder
    • 8. Rita Maria Felix da Silva  |  janeiro 5, 2010 às 2:44 am

      Carlos,

      Não tem um significado específico. Apenas criei-o para usar nesta história.Beijos
      Rita

      Responder

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