“M” – Um Pentalogia – Parte I de V – “Marina”

dezembro 27, 2009 at 7:52 pm 4 comentários

Pessoal,

O começo de uma série de cinco contos, com personagens diferentes, situados em um mesmo universo.
Boa leitura.
Beijos
Rita

“M”
UMA PENTALOGIA

Por Rita Maria Felix da Silva

I – Marina

Na tarde fria e silenciosa de inverno, enquanto a terra descansava após chuva tão prolongada e o céu, pesaroso, escondia seu azul atrás das nuvens… Um vento intranqüilo soprava por aquela região, sobre a vila e os campos e na colina…

A casa abandonada ficava no topo da colina. Era uma construção secular, grande e firme, de arquitetura cinzenta e melancólica, ao seu redor estendia-se um jardim invadido por ervas daninhas, e suas janelas pareciam observar o mundo com infelicidade inconsolável.
Dentro da casa, Marina aproximou-se da janela. Seus olhos, através da vidraça, fitavam cheios de desejo e tristeza a vila lá embaixo.
— Não devia fazer isso. Seus pais vão reclamar.
Ela não se virou, pois sabia quem havia falado.
— Por que, Tia Matilde? — indagou Marina — Tenho tanta vontade de estar com o povo da vila.
— Para que? Nosso lugar é aqui.
— Eu… Anseio pelo que eles têm… Comem… Bebem… Fazem amor… Eles…
— Vivem, é a palavra que você está procurando, — completou Tia Matilde — é o tempo deles, não o nosso. É assim que o mundo funciona.
— Não entendo, tia. Meu coração suplica por contato, por ter o que aquelas pessoas têm.
— Você não tem mais coração, querida. Aliás, nenhum de nós tem. Já ouvi falar de alguns de nosso povo com idéias como essas suas. Acredite, o resultado nunca foi bom…
—… Fico confusa… Diferente da senhora e dos outros… Não sou apática, nem fria… Por que me sinto como se fosse um deles lá embaixo?— lamentou Marina.
Tia Matilde suspirou:
— Deve ser o destino fazendo uma piada de mau gosto. Às vezes, acho que a grande verdade por trás de tudo não é mais que isso… Bem, saia daí, mocinha, venha comigo. Você tem quase um século e meio de idade. Já devia estar acostumada.

Extremamente infeliz, Marina seguiu a tia pelos corredores sombrios e empoeirados da casa e amaldiçoou a si mesma por não ser capaz de chorar. Afinal, fantasmas não têm o privilégio das lágrimas.

FIM
Dedicado a Wesley Felipe de Oliveira (Monsieur Henri Corredeiras)

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Quando um Humano Visita Você Khen-Zur

4 Comentários Add your own

  • 1. Edgley  |  dezembro 30, 2009 às 4:21 am

    Ótimo conto, realmente mexe com a imaginação, adorei o
    desenrolar do texto, não poderia ser melhor. Parabéns!!!

    Responder
  • 2. Rita Maria Felix da Silva  |  dezembro 31, 2009 às 4:14 am

    Edgley, obrigada.
    Beijos
    Rita

    Responder
  • 3. Mensageiro Obscuro  |  janeiro 2, 2010 às 6:43 pm

    Que história maneira, me lembrou um filme que adoro Os Outros, com Nicole Kidman.

    Responder
    • 4. Rita Maria Felix da Silva  |  janeiro 3, 2010 às 7:35 pm

      Mensageiro,

      Obrigada.
      Beijos
      Rita

      Responder

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