FRAGMENTO Nº001 – A ESPERA DE NICOLE

FRAGMENTO Nº 001
A ESPERA DE NICOLE

Por Rita Maria Felix da Silva

Por todos os dias, a partir do momento fatídico em que seu marido Guillaume partiu para a Guerra dos Muitos Mundos (no distante Reino da Intersecção Interdimensional), Nicole corria à janela e esperava por sua volta. Esperava com o coração ansioso, enquanto lágrimas ocupavam-lhe os olhos, até o cansaço, o sono e o desespero arrastá-la à cama.

Às vezes, alguns retornavam do conflito entre as dimensões: vinham em fileiras de maltrapilhos, com o olhar penoso de um louco ou a face dolorida de um mutilado, e traziam consigo histórias da Guerra. Nicole sempre lhes indagava sobre Guillaume. Notícias dele, porém, os sobreviventes da batalha nunca souberam dizer.
Nicole o esperou até que sua juventude foi devorada pelo tempo, a velhice tomou conta dela e sua saúde desapareceu como um encanto desfeito sob a luz do sol. Breve, não era mais capaz de se levantar da cama e dela apenas seu olhar esperançoso ainda chegava até a janela.

Certo dia, depois de muitos anos, a Morte, piedosa dama, veio-lhe no meio de uma tarde chuvosa e levou Nicole, talvez para algum paraíso mítico ou para o esquecimento. Quem realmente pode saber? Dizem apenas que Nicole esperou Guillaume até o último momento e, antes de fechar os olhos pela última vez, sussurou seu nome…

Assim se conta. Esta é uma história da Guerra dos Muitos Mundos.

FIM

Dedicado a Irina Voronina

julho 26, 2015 at 1:41 am 1 comentário

QUANDO O PODER E O AMOR SE FUNDIREM COMO DOIS IGUAIS

Após um tempo bem longo sem atualizações neste blog,
segue um poema pequeno e despretensioso.
Boa leitura.

Quando o poder e o amor se fundirem como dois iguais
Não haverá lágrimas ou temores nunca mais

Quando o poder e o amor se fundirem como não desiguais
Haverá rosas em todas as janelas e sorrisos cor de lilás

Quando o poder e o amor se fundirem como não rivais
Haverá corações sem mentiras e puros como os animais

Quando o poder e o amor se fundirem como amantes siderais
Haverá almas realmente humanas e não simulacros abissais

Poema: Rita Maria Felix da Silva

julho 18, 2015 at 8:47 pm Deixe um comentário

Bizarrias 7 de 10 – O Terrível Dr. Terrívilus Finalmente Vence

IUPI! Chegamos ao Bizarrias 7 e apenas mais três histórias nos separam do fim do volume um dessa série. Haverá um volume dois? Só os deuses sabem…

Esta história deveria ter saído em Maio, mas problemas de ordem técnica diversos não permitiram. Felizmente pude, mais uma vez, contar com o amigo desenhista Tony Fernandes (um beijo, Tony, você é um anjo!) que aprontou esta Bizarria na velocidade de um Captain Hurricane.

“O Terrível Dr. Terrivílus” é uma pequena e singela homenagem aos quadrinhos de super-heróis, afinal, como garota nerd que sou, já li e ainda leio muito desse gênero, o qual começou e floresceu nos EUA. Não que outros países não possam fazer super-heróis (no Brasil, temos ótimos quadrinhos desse tipo, que merecem ser melhor conhecidos), mas, para a homenagem eu buscava uma ambientação específica. Só espero que os nacionalistas puristas radicais não queiram me cobrir com uma chuva de coquetéis molotovs, seixos e shurikens… :)

Desta vez dediquei a história a dois artistas que admiro muito.Um deles é o pernambucano Watson Portela, que é chamado merecidamente de “O Moebius Nacional”. Sério, gente, vocês precisam ver a arte dele. Inclusive o rosto da inteligência artificial que aparece nesta história é o dele.

O outro é o americano Nick Pitarra, que faz uma arte destoante dos quadrinhos made in USA, algo que se situa entre a MAD e os quadrinhos europeus. Ele tem feito um trabalho brilhante nos desenhos de The Manhattan Projects (que Pitarra co-criou com Jonathan Hickman), uma das melhores revistas em quadrinho do mercando estadunindense. Altamente recomendo.

Boa leitura!

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junho 16, 2015 at 3:24 am 2 comentários

HQ-BIZARRIAS 06 DE 10 – SRTA. JULIETE VILLAGRANDE EM NOITE DE PRIMEIRO ENCONTRO

Oi, Pessoal,

É realmente com grande alegria que posto este sexto capítulo da série Bizarrias. De um total de dez partes, agora faltam apenas quatro, o que me deixa menos nervosa: acreditem, estou ansiosa para terminar Bizarrias (volume 1).

Desta vez, pude contar com o artista e amigo Tony Fernandes. É bem provável que vocês lembrem dele do quadrinho “Apache”, uma revista nacional com um western diferente e realmente bom (um dos pontos de que mais gostei é que o personagem central é uma mulher, tem uma identidade secreta, o que é um elo com os quadrinhos de super-heróis, e o ponto de vista é dado aos índios, não à cavalaria). Sim, é um quadrinho bem legal, merece ser mais conhecido.

Bem, boa leitura.

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abril 5, 2015 at 3:21 pm 1 comentário

HQ-BIZARRIAS 5 DE 10 – O JOVEM MIGUEL VAI AS COMPRAS

Oi, pessoal

Chegamos ao Bizarrias 5. Agora faltam só mais cinco para concluirmos o primeiro volume dessa série

Este Bizarrias marca a chegada de dois novos talentos à equipe: Aurélio Gomes Albuquerque e John Castelhano, dois caras talentosíssimos que foram responsáveis pelo desenho e arte-final desta história. Além do talento, são pessoas muito bacanas e foi ótimo trabalhar com eles.

Para os leitores mais análiticos, embuti um pequeno detalhe neste bizarrias. Se você reler os anteriores é possível que descubra do que estou falando.

Também aproveitei para revisitar São Bento da Trindade, uma cidade ficcional que uso em meus contos, um lugar extraordinário, onde moram também pessoas comuns que parecem conviver normalmente com as coisas extraordinárias que acontecem lá.

São Bento da Trindade se situava num universo ficcional meu que já foi extinto (embora eu não tenha ainda contado como isso aconteceu, mas deixei pistas para que os leitores mais atentos possam desconfiar…), contudo sempre volto para contar histórias daquela cidade enquanto ainda existia.

Boa leitura!

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LD-pag-Mágico-2
LD-pag-Mágico-3

março 13, 2015 at 2:45 am Deixe um comentário

CHUVA, CHUVA

Oi, pessoal?

Este texto surgiu a partir de uma brincadeira de humor negro que fiz durante, obviamente, uma noite chuvosa.

É um pouco diferente dos poemas que geralmente escrevo, mas, embuti uma pequena brincadeira nele para aproximá-lo de minhas poesias usuais.

Boa leitura.

CHUVA, CHUVA

VEM E DESABA SELVAGEM SOBRE TODOS

CAI E LAVA FURIOSAMENTE A TERRA

E ASSIM AFOGA OS PECADOS HUMANOS

A TUDO INUNDA TÃO IMPIEDOSAMENTE

DESDE O CHÃO ATÉ O DISTANTE CÉU

E CUBRA TAMBÉM O ALTO DOS TEMPLOS

DEPOIS INVADA OS SALÕES SUNTUOSOS

PARA ARRASTAR CONVIDADOS E FESTA

E DESTROÇAR AS MESAS DE BANQUETE

PONHA ABAIXO E SEM NADA DE DEMORA

AQUELAS PAREDES, OS MUROS E SALAS

DAS TERRÍVEIS MANSÕES SEM CORAÇÃO

O OURO, A PRATA E TODAS AS JÓIAS

TRANSFORMA COM A MAIOR CRUELDADE

EM LIXO, CAOS, ENTULHO E DETRITOS

A NINGUÉM POUPES, A NADA E NINGUÉM

DIANTE DESTE TEU TÃO TEMÍVEL FUROR

TODAVIA, ESCUTA E OH, SIM, ESPERA

SE TU PUDERES POUPAR UM ALGO APENAS

COM A HUMILDADE E DESESPERO EU PEÇO

POUPA, MAS POUPA TÃO SOMENTE O AMOR

Poesia: Rita Maria Felix da Silva

março 1, 2015 at 8:27 pm Deixe um comentário

OS DEZ HERÓIS DO REINO DE RAVINGARD

O primeiro nome foi pelo universo disperso
O segundo não era gente, era só um verso
O terceiro, um herói muito cedo se fez
Homem de coração nobre, era escura sua tez
O quarto nome foi tragédia, nunca alegria
Pois os deuses fizeram-na mestra da magia
O quinto era farsante e mentia em tudo
Terminou herói de verdade, velho e sisudo
Ao sexto, não lhe restou qualquer glória
Caiu em desgraça, foi apagado da História
Com o sétimo, a sorte foi uma terrível vilã
A amada o apunhalou no começo de uma manhã
Do nono, não se sabe se o fim foi feliz ou vil
Partiu em derradeira batalha e para sempre sumiu
O décimo tornou-se rei sábio e muito idolatrado
Acabou por enforcar-se: cansado e entendiado

Poema: Rita Maria Felix da Silva

fevereiro 24, 2015 at 4:30 am 1 comentário

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