Tabu Divino
dezembro 5, 2011 at 5:06 am 9 comentários
TABU DIVINO
Por Rita Maria Felix da Silva
Arin-Kipak, Deusa dos Céus Tempestuosos, e Yon-Anru, Deus dos Mares Revoltos, atingiram o orgasmos juntos. Ele a beijou, rolou para o lado, e então disse:
— Em toda a eternidade, quantas vezes eu e você já copulamos?
— Pouquíssimas.
— Não entendo: enquanto os mortais têm relações o tempo todo, nós, divindades, sofremos com essa lei insana nos limitando. Alguém, pelo menos, sabe o porquê?
— Ninguém. Esquece isso.
Ela o beijou de volta e ambos se abraçaram e adormeceram.
E, em algum lugar do multiverso, poucos instantes atrás, um mundo, habitado por uma cultura antiqüíssima, havia explodido.
FIM
Dedicado a Henrique Kipper
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1.
Cirilo S. Lemos | dezembro 7, 2011 às 3:47 pm
Um dia ainda aprendo a escrever contos curtinhos assim.
2.
Yarin | dezembro 7, 2011 às 3:49 pm
Gostei do conto, eu acho interessante, como você se aprofunda em contos curtos rita, e como mostra fagulhas de ideias complexas em poucas linhas, parabéns.
3.
Adriana "Strix" | dezembro 7, 2011 às 4:42 pm
É trágico, mas eu ri. =x
4.
Heitor V. Serpa | dezembro 11, 2011 às 3:37 am
Tenso… Isso me leva a pensar: e se todos formos deuses de algum universo paralelo, quantos planetas já explodimos ou explodiremos desta forma? Quem for sexualmente ativo produz genocídios em massa.
Mais uma vez, invejo sua capacidade de síntese, especialmente a pitada de humor negro nesse texto. Meus parabéns e minha eterna admiração
Beijos
5.
Ryan | dezembro 12, 2011 às 2:57 am
Divertido demais, hehe! Você criou uma situação que pode se tornar uma regra que explica muitas outras coisas.
6.
Lucas Rodrigues | dezembro 13, 2011 às 2:24 am
Hahahaha, adorei esse.
Adoro seus contos, Rita. Muito bom.
Parabéns!
7.
Ana | dezembro 14, 2011 às 4:20 am
Isso é bom demais! É perfeito… me espanta o detalhamento em tão poucas palavras. Me fascina o quão visual tudo que vc escreve consegue ser, Rita.
Fabuloso.
8.
Alison | dezembro 17, 2011 às 1:03 am
Amo seus micro contos, ainda quero escrever assim rsrsrs, Parabéns
9.
muriloregis | janeiro 13, 2012 às 12:53 am
Ótima tragédia cômica, Rita. Como tantos já afirmaram, você consegue em pouquíssimas linhas consegue nos fazer vislumbrar universos extensos.