A GALERIA
outubro 14, 2011 at 4:31 am 8 comentários
Pessoal, ainda devendo a vocês a conclusão de “Trinca de Ases”. Perdoem-me. Probleminhas técnicos, mas virá na próxima semana. Hoje deixo vocês com “A Galeria”. Beijos. Rita
A GALERIA
Por Rita Maria Felix da Silva
A voz do advogado era monótona, áspera e deixava escapar um tom de falsidade. Ayla sentia-se incomodada enquanto aquele homem falava:
— Os termos são claros, Sra. Mitzis. No testamento, seu pai, o Barão de Lankera, deixa-lhe todo o patrimônio. A única condição é que mantenha esta galeria. Isso concluí meu trabalho. Passar bem.
Inquieta, Ayla Mitzis tentou dormir aquela noite na mansão. Há dez anos, quando as diferenças entre ela e o pai tornarem-se, numa hipótese otimista, além de qualquer conciliação, o Barão expulsou-a dali, deserdou-a e jurou querer vê-la morta. Não havia ninguém no mundo que a odiasse mais. Então, por que mudar o testamento e beneficiá-la agora? À noite, que parecia estranhamente silenciosa, não deu resposta alguma.
Pensou na galeria no porão. 64 quadros. Gravuras pintadas pelo próprio Barão, emolduradas e cobertas com um estranho vidro azul. Contava-se muita coisa sobre aquele nobre, diziam que era um mago e ajudava pessoas aprisionando o medo delas. Bobagem supersticiosa! Ayla nunca deu importância a essas histórias.
Fechou os olhos pedindo que o sono viesse logo, mas, então lembrou do quadro número 31… “Sra. Nadiya Nikolayevna Korovin”… A imagem de um monstro indizível… O vidro trincado. Escutou algo se despedaçar, como uma enorme vidraça atacada com fúria.
Para a polícia, os empregados da mansão contaram sobre barulhos animalescos e gritos horríveis, mas a porta do quarto de Ayla estava trancada e nada que eles fizeram conseguiu abri-la.
Após alguns minutos, a porta destravou-se, como por mágica, e o corpo de Ayla Mitzis, viúva de Karl Mitzis (famoso comerciante e o maior inimigo do Barão de Lankera), foi encontrado em exatos 128 pedaços.
Na galeria do porão, um quadro despencara da parede e sua moldura jazia no piso de mármore. Vidro azul espalhado por toda a parte.
FIM
Dedicado a Alex Bastos
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1.
Rubem Cabral | outubro 14, 2011 às 12:53 pm
Bem interessante a história, mas, sinceramente, o argumento pedia mais texto… Tão curto assim, não houve como se ter empatia com a personagem e a narração tbm foi muito econômica em descrições.
2.
Clinton Davisson | outubro 15, 2011 às 6:29 pm
Gostei muito! Eu gosto desse gostinho de quero mais que você deixa nos contos, mas concordo com o Rubem também…rs
3.
Daniel Folador Rossi | outubro 15, 2011 às 7:19 pm
O ‘indizível’ ali em cima me lembrou os horrores de H.P. Lovecraft, e por isso simpatizei com o conto (:
Fica a sugestão: tirar a parte q explica o pai-mago e os medos aprisionados, e mudar o texto para que sugira ao invés de explicar. Sem, como vc disse, cair no não entendimento.
Bjos Rita
4.
Adriana "Strix" | outubro 17, 2011 às 4:19 am
Nada como um terno conto de amor familiar.
5.
Debby | outubro 17, 2011 às 4:37 am
Amiga, seus contos são excelentes, porém esse no caso ficou faltando algo.
Talvez se eles tirassem o vidro azul dos quadros. E pq o advogado tem que ser ,mantido?
beijos
6.
Al Reiffer | outubro 19, 2011 às 4:33 am
Gostei, a ideia é muito boa, mas creio que poderia ter desenvolvido um pouco mais. Ficou faltando um pouco de clima e de aprofundamento na história. Mas o conto é bom em sua ideia. Bj
7.
Rogério Henrique | outubro 19, 2011 às 11:36 am
Interessante, legal, gostei.
8.
Rdelton | outubro 20, 2011 às 1:43 pm
Sempre, sempre, sempre excelentes seus textos! Não canso de dizer-te!